terça-feira, 28 de abril de 2009

Hitler na indústria têxtil

Ou: de como é a saga de quem não veste 38.

No final de semana fui às compras (tudo em 5X sem juros que é pro meu salário dar conta), como estagiária fui às lojas de departamento. Sabem aquelas grandes cheias de araras pelo meio da loja, com uma porção de roupas iguais de todos os tamanhos? É pois é.

Todos os tamanhos não, né? Calças 38 e blusas P. Você veste isso? Eu não!

Todos os dias os jornais avisam que a população está maior, mais gorda (tá, gordinha pra ficar delicado), mas as roupas nas lojas diminuem. Afinal como diria Nigel (Diabo Veste Prada) o 40 é o novo 48 e o 44 é o novo 56.

Eu não me encaixo, estava com a minha mãe, ela ia para um lado e eu para o outro, olhava as etiquetas e voltávamos ao ponto de partida:

-E aí?
-Nada.

Próxima loja

-E aí?
-Nada.

Entrei na Marisa e uma blusinha PP com o módico valor de 89,99. Caraca, eu não sabia que a Marisa havia se tornado uma nova Triton. Paciência. Fui entrando na loja e achei uma arara com uma plaquinha: Tamanhos Especiais.

Não gostei muito, mas fui lá ver, chamem como quiser, minha mãe também me acha especial e o Igor também. Eu juro que ao encostar na arara os tamanhos ali pendurados eram: 44, 46 e 48. Gente, desde quando 44 é tamanho especial?

Fato é que apesar de todo mundo cantar aos 4 ventos que as diferenças são importantes e inclusão é coisa moderna e fundamental, a ditadura da moda continua "hitleriando" as vestimentas mundo afora. Abram revistas femininas de moda e beleza (Nova, Claudia, ELLE) as moçoilas são esquálidas, pálidas e tristes. E onde entram minhas curvas despadronizadas, meu rosto corado de andar no sol e meu sorriso escancarado?

Sabe aquele vídeo que rola pela internet, com tradução do Pedro Bial "Filtro Solar"? Pois é, o Bial diz: Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio. É fato, eu me sinto um demônio cada vez que abro uma dessas.

Porque o importante é ser magro. Seja magro e serás feliz. A magreza é o caminho para a redenção. Pessoas magras são felizes e constroem carreiras promissoras. Magras podem ter namorados lindos, casarem, terem filhinhos e fazer comerciais de Doriana.

Se você não é magra você não é feliz, se você não é magra você é feia. Se você não é magra não vai sair em revista de beleza (droga, queria tanto).

Se você é gorda é relaxada. Se você é gorda sua vida amorosa será uma água turva e parada. Se você é gorda sua vida profissional jamais irá decolar. Se você é gorda vai morrer de infarto já já. Se você é gorda o mundo te odeia e não há lugar para você dentro dele. Se você é gorda vai entalar na roleta, vai quebrar cadeiras de plástico (eu nunca quebrei que fiquei claro). Estão no feminino, mas o masculino também é válido, ainda que em menores proporções.

Sei que tudo isso parece muito ferro e fogo, mas para dizer se é ou não é mesmo assim, tem que sentir na pele. Alguém aí tem uma revista Nova em casa? Vai lá e abre, procura uma cheinha.

Achou?

Não né?

Mulheres cheinhas (to fazendo o possível pra ser delicada) não fazem sexo meu bem. (não hein?!rs) então por que estariam retratadas nas páginas da revista?!

Eu não me acho feia (não muuuiiito feia), mas com a explosão de tantas mensagens (não)subliminares, fica difícil manter a auto estima lá em cima, difícil bem difícil.

Eu não "sou" na moda!!!

E vc, é?


Feias?_________________________

E tem presente

A Dani, do Ficta Confessio, me deu um selinho lindo, que eu, preguiçosamente, repasso ao todos aqueles linkados ali do ladinho. Se seu blog está ali do lado, pode levar é seu, sinal que eu te leio todo santo dia, mesmo quando você não posta nada novo eu vou lá xeretar!!!





sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sol da meia-noite



Como eu vou explicar os dias de caos?

Os meses de caos e o ano, que ainda não está na metade, mas que será todo ele feito de caos?


Feito de desordem, feito de coisas que saem do lugar.

Coisas que depois de mexidas e remexidas, jamais voltarão a ocupar o lugar que dantes habitavam?


São dias de furacão, de erupção. Dias que no correr das horas se esvaem pelos dedos e mostram, com ar de desdém e desamor, que o tempo não para e que se eu não correr a frente do relógio, os ponteiros vão, certamente, me atropelar.

É esse um tempo de atropelo, de fazer sem perguntar o por quê.

De agir sem deixar para depois. De planejar sem cuidados.

De se soltar no ar dos sonhos a se realizar. E mesmo que todos eles dêem errado, os planos foram feitos, seguidos e batalhados, e isso importa muito mais do que conseguir.


O caos é o desconsolo que toma conta logo após a queda, seja do cavalo seja da vida. O caos é o apimentado do prato de todo dia.

O caos é a tempestade logo após o amanhecer.

O caos é o retumbar do meu coração. O caos é o que antecede a paz.

Tão parecido com amor.
Tao caótico o amor. Tão amoroso esse caos.

É nos dias de caos que só o que importa é: "eu estou segurando a sua mão".


E se você segurar na minha mão vai poder sentir todos os anseios do meu corpo, da minha alma e do meu amor.

Vai voar comigo por cima das montanhas, vai mergulhar, vai não saber nadar também. Vai conseguir ouvir o som da minha risada, vai assistir desenhos.

Vai aprender sem entender.
Vai sentir o arrepio da minha espinha quando parecendo cair a gente começar a voar.

Nesses dias de caos, é só me dar a mão para sentir a calmaria e o sabor de chocolate com cerejas.


Nesses meses de caos eu sou o ego. Sou tua alma.

Sou o céu, o inferno.

Te dou a calma, sou o teu inferno a tua calma.


Nesse ano todinho feito para o caos eu sou teu tudo, sou teu nada. Sou teu poder, sou tua vida. Sou a sombra, o guia.


Sou luar em plena luz do dia.


O caos me faz saudade reprimida. O amor me faz ânsia da chegada.