segunda-feira, 16 de março de 2009

Falta de sorte?

Não faz muito tempo que descobriram que Plutão não é um planeta. Pobrezinho foi reduzido de cargo e provavelmente deve estar ganhando menos, (sorte dele que tem salário, eu nem isso tenho). Não sei muito bem como ficou a vida dele em relação a astrologia, já que Plutão é o inferno astral. Enfim, ele deve ter deixado de circular pelos outros mapas astrais e se aconchegado confortavelmente sobre a minha cabeça.
Bem que as pessoas dizem que desgraça nunca vem sozinha. Quando uma coisa ruim começa a acontecer, desencadeia dezenas de outras piores. É como se não satisfeito em te derrubarem em um poço de merda, te jogam um travesseiro de penas descosturado na cabeça. Aí vc fica aquela lindeza: cheio de merda, com umas plumas brancas coladas, aquilo não sai nem com encruzilhada, que dirá com banho.

Na última sexta-feira, que aos desavisados foi 13, eu quebrei um espelho. Um espelho pequeno tá certo, daqueles de bolsa de mulher, sabe? Pois é, caiu no chão e se partiu e pedacinhos, na hora o pensamento que me veio: FODEU! Não que eu seja supersticiosa, imagina. Mas vamos aos fatos.
Horas após a quebra do fatídico espelhinho meu avô faleceu, não que a culpa seja do espelho, mas a morte de uma pessoa desencadeia coisas que eu não sabia, ou sabia e só não me lembrava. As pessoas brigam até por agulhas, já que meu avô era um homem sem posses. A família(que não é pequena) nos bombardeou com emails, ligações e convocações para partilhas.

Dois pratos e dois copos quebrados depois, eu fui ligar o computador e??? Ele não liga!!!!!

Sabe lá o motivo daquela carroça não dar o ar da graça. Não sou expert em tecnologia e menos ainda técnica em informática. Sei que o desgramado liga mas não inicia. Pode ser uma porção de coisas que só mesmo um técnico vai poder saber. Seria simples não fosse o fato da Fernanda ser uma acadêmica lisa, lesa e louca. Não tenho grana. Aos que não sabem sou voluntária (que nem Papai Noel que não tem salário) em uma ONG. Salário só no outro mês, que ainda custa a chegar e, ainda assim, o money é parco(têm noção do quanto ganha um escraviário?). Fernanda também está no último ano de faculdade, ou seja, ano de Trabalho de Conclusão de Curso, Projeto Experimental chamem como quiser, o fato é que estou fazendo um site (eu estudo jornalismo, lembra?) em formato de blog (conto mais sobre ele quando a maré melhorar).
Não bastasse essa coleção de acontecimentos ainda tem um professor na faculdade que acha que vai reinventar o jornalismo, eu acho que ele vai muito bem do jeito que está. Mas o dito cujo, além de ser o rascunho do mapa do inferno, é implicante e quer dedicação exclusiva à matéria dele, que nem dele é, já que ele não é o titular da disciplina. Levando em consideração que há mais outras 4 matérias nesse semestre, está bem difícil concordar com os desvarios incompreensíveis de um professor que pensa que a imprensa atual é uma bosta (detesto quem só inventa defeitos). Não acho que seja perfeita, mas pintar o diabo mais feio do que realmente é, chega a ser pecado. Ele que devia ser excomungado...

Ou seja, benvinda ao inferno astral, Fernanda. Mas passa, eu sei que passa. Enquanto não passa, me desculpe, mas vou arrastar minhas correntes, chorar pra ver se alivia e achar que o mundo agora está contra mim...


PS: Agradeço imensamente o carinho nos comentários do post passado. Muito Obrigada.

PS²: Tenho uns selos com postagem atrasada, da Denise, da Babi, da Elaine, mas é que eles estão salvos no meu computador, sabe aquele que não liga?! Mas agradeço imensamente o carinho!!!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Da partida de quem sempre estará aqui

Como é que pode se explicar a dor que a morte causa?

Com a ausência vem o conformismo com o inevitável, pricipalmente quando quem parte já tinha na pele as marcas dos anos.
Meu jeito de sentir a dor de quem parte é, talvez, diferente da maneira da maioria das pessoas. Nessas horas choro pouco, não há espaço para o desespero é apenas um misto de lembranças misturadas aos fatos inevitáveis da evolução da vida e do tempo que não para.

Hoje, em uma tarde de chuva torrencial por estas bandas, me lembrei que com você aprendi a gostar da chuva, me lembrei do homem paulista, disfarçado de pantaneiro, que ao ver o céu preto dizia: um dia bonito. Pra quem não sabe, para quem vive no campo, bom mesmo é a chuva, que traz a vida para a terra, enche os rios de peixe e sacia a sede dos animais.


Lembrei das férias de julho dos tempos de infância. Pensei em todas as conversas sobre literatura, os livros recomendados, as histórias contadas, partilhadas.

Lembrei do hábito de meia xícara de açúcar para meia xícara de café(Igor, é de família). O inaplácavel gosto por doces(viu, de família também). O copo de água depois de qualquer refeição.

Lembrei dos ensinamentos de: como se livrar de uma sucuri no rio. Ou: como se livrar de uma onça pintada, "enfia o dedo nos olhos dela", é fato, qualquer animal quando ferido nos olhos foge, a tática também serve para bandidos na cidade. De como fazia os netos comerem bichos estranhos sem que soubessem o que era. Cobra, rã, jacaré (meu preferido).


Lembrei de como, quando eu já era adolescente, descobriu que eu gostava de ler, de escrever, que eu era, nas suas palavras, uma literata, do seu tom de orgulho ao falar isso para minha mãe.

Lembrei das histórias de saudade contadas ao final de um jantar, de muitos jantares.
Enquanto a chuva caía lembrava dos seus traços, tão parecidos com os meus, mais do que os do meu próprio pai.

Lembrei do: Oi boneca! Tá boa?!

Lembrei das férias de julho no pantanal quando eu era mais uma entre a dezena de netos.

Lembrei de: "a melhor coisa pra saúde é sexo".

Lembrei de: "a sua avó não casou virgem", e da minha mãe corando de vergonha, eu tinha uns 11 anos, achei o máximo, decidi que eu também não casaria virgem.


Lembrei de todas as histórias que ouvi de meu avô, de como ele me ensinou sobre respeito.

Lembrei das histórias sobre ele que ouvi da minha mãe, da minha bisa, das minhas tias. Os 'causos' engraçados contados pelos netos através das gerações.

Lembrei de como tentou, e somente tentou, me ensinar matemática. Lembrei que ele consertava parabólicas e computadores. Construía hidrelétricas, casas, móveis e nunca entrou em uma faculdade.


Foi personagem do fantástico duas vezes, matou a gente de vergonha e de rir. Ensinou os vovôs do país que o que mantém o ser humano são é o sexo, ganhou como fã o Dr. Dráuzio e o Sr. Kubrusly, além dos 11 filhos (que a gente sabe ;D), o batalhão de netos que eu já perdi a conta e os 8 bisnetos (me desculpem se esqueci algum), a última descendente nascida exatamente uma semana antes.

E é assim a vida, da qual a morte faz parte. "Vão-se os velhos e vêm os novos", como diria ele mesmo, Seu Mello. Oscar, meu avô.

Partiu no sábado, foi morar com as estrelas, reencontrar o grande amor da sua vida inteira. Fica a saudade e a certeza de que está em algum lugar, sentado com as pernas cruzadas, a mão no queixo e um meio sorriso no rosto, prestando atenção a conversa entabulada com alguém.
Pra quem não viu:
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL696492-15605,00.html