Maldizemos de tal maneira as encruzilhadas do caminho que, depois do fim, não nos lembramos de que foram elas as responsáveis pelas decisões, guinadas e vôos mais altivos da trajetória.
Em quatro anos de faculdade incontáveis foram as vezes que me deparei com caminhos bifurcados.
Este ou aquele, direita ou esquerda, aqui ou lá?
Indecisa por natureza sempre tive muitas dúvidas, mas nunca me arrependi de nenhuma direção escolhida, apenas fui em frente. Algumas escolhas foram tremendamente acertadas, outras representaram as maiores cagadas (com o perdão do termo) da minha vida, acadêmica, profissional ou pessoal.
E agora no último ano, nos últimos meses, dedicados (ou pelo menos deveriam) à preparação do Projeto Experimental, faço um balanço das minhas encruzilhadas. Algumas que me trouxeram infindáveis sorrisos. Outras me trouxeram dissabores que ainda amargam, ardem, talvez até machuquem.
Quando prestei (e passei) vestibular, tinha acabado de trocar de emprego. Ganhava muitíssimo bem para uma pirralha de 20 e poucos anos, viajava, bebia e comia do bom e do melhor. Mas precisava fazer faculdade. Consegui do Lula, o presidente aquele, uma bolsa integral em uma universidade particular, da qual eu não tinha o menor orgulho. Passei de 2° chamada na Federal e me vi diante da primeira das dezenas de encruzilhadas que viriam.
Ir para a federal ou ficar na particular?
Na federal faltariam materiais, professores, salas, cadeiras. Sobraria descaso, dor de cabeça e atrasos. Minha bolsa na particular estava garantida pelos próximos 4 anos. Na federal rolariam papos que, quiçá, um dia salvem o mundo, desafios e vida universitária de verdade. Na particular tinham as patricinhas e suas roupas de grife, as bolsas Channel e o intervalo parecia recreio do Ensino Médio.
Uma ligação: “Oi, sou o Rafael da UFMS, vc foi aprovada de segunda chamada, Jornalismo. Vai ficar com a vaga? Tem até amanhã para vir fazer matrícula”.
Peguei a bolsa e disse ao chefe: -Preciso voltar meu horário para matutino, desconta meu dia de hoje que tô de saída.
Fiz a matrícula. Só voltei à particular para devolver a bolsa, assim outro aluno poderia ocupar o meu lugar.
Sabia que era a decisão mais certa e a mais idiota. Meu diploma tem peso, queiram ou não. Foda-se (com perdão da palavra de novo) ministros e ucdbistas em geral.
Nasci jornalista, não foi a faculdade que me tornou uma. Está no sangue, no pensamento, na forma de agir, questionar, investigar querer saber. Tenho sede de gente, de suas histórias de seus casos. De justiça, de igualdade e de luta. Idealista sim, assim como “Anarquista, graças a Deus”.
E aí vieram a tormenta, o caos, a falta de identificação com os colegas de faculdade. Eles com 17 eu com 23. Já tinha tido 3 empregos, já tinha ganhado bem e trabalho muito. Ganhava meu dinheiro, pagava minhas contas, respondia pelos meus atos.
Pode parecer pouco, mas havia (e muitas vezes ainda há) um abismo entre nós. Eles ganhavam carros por passar no Vestibular e eu acordava às 4 da manhã para pegar o primeiro ônibus e ir trabalhar. As vezes assistia aula em período integral e ia dormir depois da meia noite, quando chegava da aula.
Escolhi os amigos errados que acabaram por me mostrar o quanto outros caminhos seriam muito mais legais. Mudei de amigos, mudei de caminho, tomei decisões. Os amigos novos mudaram, abandonaram decisões seguiram. Mudei de novo, traída por quem eu menos esperava e mais amava, mudei de novo. Escolhi caminhos que me aproximaram de uma vida acadêmica intensa, atuante e enriquecedora. As noitadas, bebedeiras e carnavais eu já havia dito aos 18.
Meu espírito é velho, eu sou velha.
Quatro anos de curso, três namorados, duas DP’s, um monte de exames. Tardes na faculdade, noites insone, risadas e lágrimas. Alguns eventos, nenhuma viagem (eu trabalho demais e ganho de menos), uma porção de broncas. Aulas, elogios e putiadas (desculpa outra vez) do jornalista que eu quero parecer quando crescer.
Levo dos quatro anos um amigo que escolhi como irmão, que tenho perto mesmo que nossos almoços estejam rareando, as conversas sempre intensas. Uma amiga que escolhi como irmã, sempre longe, mas nunca do lado de fora de mim. Professores cúmplices do meu crescimento profissional. A alma em paz, cúmplice do meu crescimento pessoal.
Eu sou um ser humano melhor, certamente.
O amor da minha vida, complemento de todo o resto.
Ainda falta o Projeto Experimental, essa é só uma parte da despedida do que começou a acabar. Talvez não seja a parte mais difícil, mas é certamente a mais complexa.
Agradeço aos professores que tornaram as pedras do caminho menos pontiagudas. Agradeço aos traidores que fizeram com quem eu me lembre que eu posso ser sempre melhor, apesar do fel. Agradeço ao amigo, que ensina todo dia que amor é respeito.
Foram os quatro anos mais enriquecedores, quatro anos de despertar, de enxergar o mundo com olhos jornalisticamente apaixonados e isso não depende de diploma, de aprovação e nem de fotos no orkut de sites de baladas. Só dependeu de mim, o tempo todo dependia de mim!
As minhas encruzilhadas, às vezes, só me parecem encruzilhadas depois que chego no final do caminho que escolhi. Como capricorniana tomo decisões sensatas, acertadas, pensadas e repensadas. Piso no seguro e levo comigo só quem vale a pena. Como escorpiana, exercito meu espírito transgressor, alucinado e inconsequente.
Talvez dê certo exatamente pelo inesperado da mistura de tantas misturas.
PS: Ganhei um prêmio do Luciano. Lú não vou declinar, não. Mas entra no próximo post, tá?
;)
Em quatro anos de faculdade incontáveis foram as vezes que me deparei com caminhos bifurcados.
Este ou aquele, direita ou esquerda, aqui ou lá?
Indecisa por natureza sempre tive muitas dúvidas, mas nunca me arrependi de nenhuma direção escolhida, apenas fui em frente. Algumas escolhas foram tremendamente acertadas, outras representaram as maiores cagadas (com o perdão do termo) da minha vida, acadêmica, profissional ou pessoal.
E agora no último ano, nos últimos meses, dedicados (ou pelo menos deveriam) à preparação do Projeto Experimental, faço um balanço das minhas encruzilhadas. Algumas que me trouxeram infindáveis sorrisos. Outras me trouxeram dissabores que ainda amargam, ardem, talvez até machuquem.
Quando prestei (e passei) vestibular, tinha acabado de trocar de emprego. Ganhava muitíssimo bem para uma pirralha de 20 e poucos anos, viajava, bebia e comia do bom e do melhor. Mas precisava fazer faculdade. Consegui do Lula, o presidente aquele, uma bolsa integral em uma universidade particular, da qual eu não tinha o menor orgulho. Passei de 2° chamada na Federal e me vi diante da primeira das dezenas de encruzilhadas que viriam.
Ir para a federal ou ficar na particular?
Na federal faltariam materiais, professores, salas, cadeiras. Sobraria descaso, dor de cabeça e atrasos. Minha bolsa na particular estava garantida pelos próximos 4 anos. Na federal rolariam papos que, quiçá, um dia salvem o mundo, desafios e vida universitária de verdade. Na particular tinham as patricinhas e suas roupas de grife, as bolsas Channel e o intervalo parecia recreio do Ensino Médio.
Uma ligação: “Oi, sou o Rafael da UFMS, vc foi aprovada de segunda chamada, Jornalismo. Vai ficar com a vaga? Tem até amanhã para vir fazer matrícula”.
Peguei a bolsa e disse ao chefe: -Preciso voltar meu horário para matutino, desconta meu dia de hoje que tô de saída.
Fiz a matrícula. Só voltei à particular para devolver a bolsa, assim outro aluno poderia ocupar o meu lugar.
Sabia que era a decisão mais certa e a mais idiota. Meu diploma tem peso, queiram ou não. Foda-se (com perdão da palavra de novo) ministros e ucdbistas em geral.
Nasci jornalista, não foi a faculdade que me tornou uma. Está no sangue, no pensamento, na forma de agir, questionar, investigar querer saber. Tenho sede de gente, de suas histórias de seus casos. De justiça, de igualdade e de luta. Idealista sim, assim como “Anarquista, graças a Deus”.
E aí vieram a tormenta, o caos, a falta de identificação com os colegas de faculdade. Eles com 17 eu com 23. Já tinha tido 3 empregos, já tinha ganhado bem e trabalho muito. Ganhava meu dinheiro, pagava minhas contas, respondia pelos meus atos.
Pode parecer pouco, mas havia (e muitas vezes ainda há) um abismo entre nós. Eles ganhavam carros por passar no Vestibular e eu acordava às 4 da manhã para pegar o primeiro ônibus e ir trabalhar. As vezes assistia aula em período integral e ia dormir depois da meia noite, quando chegava da aula.
Escolhi os amigos errados que acabaram por me mostrar o quanto outros caminhos seriam muito mais legais. Mudei de amigos, mudei de caminho, tomei decisões. Os amigos novos mudaram, abandonaram decisões seguiram. Mudei de novo, traída por quem eu menos esperava e mais amava, mudei de novo. Escolhi caminhos que me aproximaram de uma vida acadêmica intensa, atuante e enriquecedora. As noitadas, bebedeiras e carnavais eu já havia dito aos 18.
Meu espírito é velho, eu sou velha.
Quatro anos de curso, três namorados, duas DP’s, um monte de exames. Tardes na faculdade, noites insone, risadas e lágrimas. Alguns eventos, nenhuma viagem (eu trabalho demais e ganho de menos), uma porção de broncas. Aulas, elogios e putiadas (desculpa outra vez) do jornalista que eu quero parecer quando crescer.
Levo dos quatro anos um amigo que escolhi como irmão, que tenho perto mesmo que nossos almoços estejam rareando, as conversas sempre intensas. Uma amiga que escolhi como irmã, sempre longe, mas nunca do lado de fora de mim. Professores cúmplices do meu crescimento profissional. A alma em paz, cúmplice do meu crescimento pessoal.
Eu sou um ser humano melhor, certamente.
O amor da minha vida, complemento de todo o resto.
Ainda falta o Projeto Experimental, essa é só uma parte da despedida do que começou a acabar. Talvez não seja a parte mais difícil, mas é certamente a mais complexa.
Agradeço aos professores que tornaram as pedras do caminho menos pontiagudas. Agradeço aos traidores que fizeram com quem eu me lembre que eu posso ser sempre melhor, apesar do fel. Agradeço ao amigo, que ensina todo dia que amor é respeito.
Foram os quatro anos mais enriquecedores, quatro anos de despertar, de enxergar o mundo com olhos jornalisticamente apaixonados e isso não depende de diploma, de aprovação e nem de fotos no orkut de sites de baladas. Só dependeu de mim, o tempo todo dependia de mim!
As minhas encruzilhadas, às vezes, só me parecem encruzilhadas depois que chego no final do caminho que escolhi. Como capricorniana tomo decisões sensatas, acertadas, pensadas e repensadas. Piso no seguro e levo comigo só quem vale a pena. Como escorpiana, exercito meu espírito transgressor, alucinado e inconsequente.
Talvez dê certo exatamente pelo inesperado da mistura de tantas misturas.
PS: Ganhei um prêmio do Luciano. Lú não vou declinar, não. Mas entra no próximo post, tá?
;)




10 comentários:
Fernanda mais uma vez preciso bater palmas para o seu texto, sei o que sente e no melhor ano de faculdade, é o momento de sair, e lendo sua história relembrei de muitas minhas, do meu curso de publicidade, das patricinhas, do desfile de moda, afinal me formei em uma particular, cai de paraguedas no curso, tinha prestado para jornalismo na UFMT, mas aconteceram coisas e acabei caindo na publicidade e hoje posso dizer de coração que sou apaixonada pelo que fiz. Sou publicitária e tenho orgulho disso assim como você tem orgulho de ser jornalista. Paro e penso em tudo que fiz e tenho certeza que faria tdo de novo e conquistaria tdo de novo, porque de coração, não foi fácil.
E agradeço a Deus por tudo que me proporcionou e monografia é o momento de arregaçar as mangas e colocar tdo em prática o que aprendestes.
Já de cara lhe desejo sucesso, e pelo que escrevi aqui, tenho certeza de que brilhará.
Ufa! escrevi bastante.
Fê te desejo toda a sorte do mundo.
Parabéns!! Lindo texto, linda estória de vida. Me indentifiquei um pouco, guardadas as devidas proporções, claro.
Boa Sorte nessa vida (vida dura por sinal), seja feliz!
bj.
Fê
Saudades do seu texto. Puxa, muita coisa a comentar. Tb sou capricorniana, tb penso e repenso, tb sofro e me abasteço, tb caio e levanto mais forte. A universidade (fiz federal) tb abriu minha mente, meu mundo, minha vida. Uau! Sei bem tudo o q vc expressou. Belo texto: rico, franco, forte, de uma jovem mulher que sabe o que quer e vai à luta. Parabéns!
Um beijo
Fazia tempo que eu não lia um texto tão emocionante... e o melhor de tudo é saber que trata-se de uma realidade plena! Só tenho a dizer que vc está de parabéns, que a vitória é sua e que seja qual for o caminho que vc trilhar daqui pra frente, faça-o com firmeza, pois mesmo que erre, é importante que saibamos sempre onde queremos chegar!
Parabéns, beijo!
Naaanda do céu, que texto lindo! E as imagens tbm, muito bem escolhidas. E falando em escolhas, fico muito feliz em saber que vc fez as certas e sabe muito bem o que quer. Sucesso e mais sucesso na sua vida fofinha!!
afff!!! queria ser assim tbm, mas essa coisa de gêmeos ascendente em sagitário deixa a gente assim meio maluca, sabe? Acho que não existe ninguém mais perdido do que eu =/
Tô pensando aqui no que eu quero. Estou em dúvida entre ser atriz, dançarina, estrela do rock ou sargento da aeronáutica. Quando eu me decidir eu te falo tá?
Bjinhus ;*
Encruzilhadas é algo que até já fiz um post, é um tal de perder pra ganhar ou vive versa que faz parte da nossa vida inerente a qualquer afto.
Final de facldade é isto mesmo. bem vinda ao clube jornalístico de ser.
E Parabéns pela tua história, estás escrevendo dignamente a tua história, garota.
FELIZ DIA DO AMIGO!!!
Bjos meus
Menina, que texto lindo, real!
Eu desde muito pequena queria ser historiadora. E quando fui aprovada, senti uma das melhores alegrias da minha vida!! Parece que a felicidade não cabe dentro de nós. E hoje, na metade de curso, vejo que fiz a escolha certa.
Muitas encruzadilhas ainda aparecerão na tua vida, e pelo que li, você saberá lidar bem com todas elas.
Boa sorte aí, mocinha.
Beijos.
Saudade ade ade ade... tá fazendo até eco! hahahahaha
Feeeeeeeeeer, nossa tô muito feliz com mais esta vitória sua!
E concordo plenamente contigo pois você nasceu jornalista e tme um jeito só seu de enxergar as coisas e de transmiti-las através da spalavras. Um jeito que prende o leitor do comecinho até o final!
sou de dizer que você vai ainda mais longe, guria!
E eu quero tá "perto" pra comemorar contigo cada uma dessas próximas conquistas que estão por vir (e que chegam jaja).
Felicidades!
e olha:
Estou divulgando em meu blog a "Campanha+Promoção: Ajude Salete Maria a CORDELIRAR".
Trata-se de uma campanha para ajudar a grande poeta Salete Maria a lançar sua coletânea de cordéis.
Dá uma passadinha lá no meu blog e, se der, participa pra dar uma força e contribuirmos pro enriquecimento cultural de nosso país!
Beijos!
Saboroso seu texto, me fez viajar para um passado parecido, com conquistas, decepções e nenhuma desistência. Cheguei aqui por meio do blog da Lak e acho que vou virar paroquiano.
Quando possível, dê uma passadinha no meu blog. Tenho algumas histórias contadas e espero que goste. Um beijo.
Sua história é perfeita. Eu sei bem como é entrar na facul com 23 e seus colegas apenas com 17. Eles parecem muito estranhos ao meu ver. Mas pra eles a estranha sou eu. E um dia fui estranha como eles e eles serão estranhos como eu. Amei seu texto e seu blog. Passarei aqui sempre. Bjus
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