Quando o despertador toca sabe que é mais um dia azul de sol escaldante de cerrado. Dia sem chuva e 40° a sombra.O frio na barriga, a sensação de bala de hortelã no céu da boca, a mão que transpira sem motivos, os olhos que ardem.
A água que acaricia o corpo, faz a mente transcender essa coisa idiota de tempo e espaço. Perto e longe. Em pé e sentado. Essa besteira de estados brasileiros. Esse país com dimensões continentais que te faz longe em qualquer lugar que esteja. Lá frio aqui um calor.
E tem os nós de homens do mar. Nó na garganta, nó na boca do estômago, nó no cérebro. A cabeça que pensa, imagina, inventa, coloca e tira. A imaginação que abre as asas e vai por paragens estranhas e não desejadas, mas que quando toma forma percorre o corpo todo até voltar para o lugar de onde saiu.
E tem o corpo que arrepia e responde aos pensamentos. Um mar de sensações marítimas. O toque de areia que acaricia e machuca. É quente sem queimar, mas no lugar certo pode gelar, arrepiar, enlouquecer. E tem o ir e vir, a espuma, o movimento constante.
Tem a angústia, o desconsolo, o desalento, o desespero. Os pés no chão de quem quer ir tendo que ficar. O aperto no peito, o soco no estômago, os passos sem
rumo, o caminhar vacilante, a corrida descompassada rumo a nenhum lugar.Tem o cheiro das cores e o sabor dos sons. Um silêncio branco se tingindo da timidez azul, o cheiro enjoado de amarelo, um som laranja de fundo magenta. Qualquer coisa de vermelho no ar.
Uma inconstante constância de querer e poder sem poder. É só poder querer, sem ter, sem ver. É só desejo de desejar o que ainda um dia vai ser. Inteiro, imperfeito. A sensação de completar o que é tão incompleto, a sensação de fazer caber o mundo em qualquer lugar, mesmo que esse lugar seja aqui, aqui dentro, bem guardado.
E não cabem os rabiscos que se fazem, não valem os artigos escritos, nem d
iplomas. É como transar sob as estrelas, não precisa de definição, não há porque ter nome, ter motivo, ter caminho, é só descaminho caminhando sob um céu de estrelas. Basta isso.Tem gente que chama de amor...
Dando crédito: Foto do Lago do Amor, dentro da UFMS ao cair da tarde, minha mesmo. Lápis e estrelas do google imagens.












