sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Todos os sentidos

Quando o despertador toca sabe que é mais um dia azul de sol escaldante de cerrado. Dia sem chuva e 40° a sombra.

O frio na barriga, a sensação de bala de hortelã no céu da boca, a mão que transpira sem motivos, os olhos que ardem.

A água que acaricia o corpo, faz a mente transcender
essa coisa idiota de tempo e espaço. Perto e longe. Em pé e sentado. Essa besteira de estados brasileiros. Esse país com dimensões continentais que te faz longe em qualquer lugar que esteja. Lá frio aqui um calor.

E tem os nós de homens do mar. Nó na garganta, nó na boca do estômago, nó no cérebro. A cabeça que pensa, imagina, inventa, coloca e tira. A imaginação que abre as asas e vai por paragens estranhas e não desejada
s, mas que quando toma forma percorre o corpo todo até voltar para o lugar de onde saiu.

E tem o corpo que arrepia e responde aos pensamentos. Um mar de sensações marítimas. O toque de areia que acaricia e machuca. É quente sem queimar, mas no lugar certo pode gelar, arrepiar, enlouquecer. E tem o ir e vir, a esp
uma, o movimento constante.

Tem a angústia, o desconsolo, o desalento, o desespero. Os pés no chão de quem quer ir tendo que ficar. O aperto no peito, o soco no estômago, os passos sem
rumo, o caminhar vacilante, a corrida descompassada rumo a nenhum lugar.

Tem o cheiro das cores e o sabor dos sons. Um silêncio branco se tingindo da timidez azul, o cheiro enjoado de amarelo, um som laranja de fundo magenta. Qualquer coisa de vermelho no ar.

Uma inconstante constância de querer e poder sem poder. É só
poder querer, sem ter, sem ver. É só desejo de desejar o que ainda um dia vai ser. Inteiro, imperfeito. A sensação de completar o que é tão incompleto, a sensação de fazer caber o mundo em qualquer lugar, mesmo que esse lugar seja aqui, aqui dentro, bem guardado.

E não cabem os rabiscos que se fazem, não valem os artigos escritos, nem d
iplomas. É como transar sob as estrelas, não precisa de definição, não há porque ter nome, ter motivo, ter caminho, é só descaminho caminhando sob um céu de estrelas. Basta isso.


Tem gente que chama de amor...


Dando crédito: Foto do Lago do Amor, dentro da UFMS ao cair da tarde, minha mesmo. Lápis e estrelas do google imagens.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

"Foda-se", no modo automático! =D



Os meus brincos de argola, o brilho labial, o rímel, as unhas sempre bem feitas, as fivelas de cabelo e os dias memoráveis.

Queros-os de volta, todos.

Eu gostava tanto de vento, daqueles que antecedem tempestades, sabe? Que bagunçam os cabelos, batem portas e janelas, trazem a poeira de outras paragens para dentro da parada da gente. "Sempre que acontece algo importante na minha vida está ventando", diria Ana Terra. E vou plagiar na maior cara de pau: Sempre que acontece alguma coisa importante na minha vida está ventando!

Não me importa se são minuanos ou ventos quentes? Importa que baguncem os cabelos, os papéis sobre a mesa, que faça apertar os olhos e
se trouxerem tempestades tanto melhor. Daquelas que lavam, arrastam e molham a alma em poucos pingos sobre a pele.

Estou fazendo a minha própria tempestade aqui e agora. Lavando e limpando a umidade dos olhos, deixá-los secos e abertos. E que a pele tenha um viço novo, um quê de quem está amando, mas não amando ao outro e sim a si e, só a si (mentira braba). Os braços adornados por pulseiras, o cabelo como que saído de um comercial de Shampoo.

Dizer mais sim e menos não é a regra agora.

Sair pra tomar uma cerveja? SIM

Sair pra tomar um suco? SIM


Sair pra ver
a banda passar? SIM

Sair pra ver a lua lá fora? SIM

Sair da faculdade e ir jogar conversa fora? SIM

Almoçar alguma coisa na rua só para estar junto? SIM


Sentar lá fora pra falar mal da vida de quem é chato com as Lulu's? SIM

Andar contra o vento sem lenço, sem dinheiro e sorrindo para o sol? SIM

Estou agora presente para os meus amigos, mas os amigos mesmo, sabe aqueles que dão risada com você, mas que também te ouvem e seguram na sua mão quando as coisas par
ecem desmoronar? Pois é, eu tenho uns desses. Gente bacaníssima e da melhor qualidade. Gente que até quem não nos conhece sabe da ligação, afinal quando perdem os documentos ou o celular por aí é para mim que as pessoas que encontram ligam para avisar.

Estou aberta e de braços abertos para voar. Para voar pelas palavras, as que escrevo, as que leio e as que ouço. Voar pelas risadas que agora fazer-se-ão presentes sempre e sempre. Dar risadas dos meus próprios tombos (quase diários), das minhas confusões com nomes e datas, da minha total falta de habilidade de descer escadas enquanto converso, da minha concentração sobre-humana para entender as coisas mais banais.

Mas alguns NÃOS vão marcar presença, tipo:

Chorar pitanga por pouca coisa?NÃO


Ouvir lamúrios de gente que me vampiriza?NÃO

Esquentar a cabeça cheia de cabelos com gente que usa máscara ou que faz de conta que é um personagem? NÃO

Tratar como priopridade quem me faz de opção? NÃO

Gente que mente?NÃO

E foda-se tudo e todos aqueles que não partilham de um jeito leve e divertido de encarar a vida. Porque quem está sempre na defensiva e trata a todos co
m as armas a postos, certamente deve alguma coisa. O que, me desculpem, não é o meu caso!

Livre, leve, solta e feliz!

Ligue o foda-se seja mais feliz!

E quem quiser ser meu amigo, mas de verdade não me venha com nada pela metade, que me dê a mão!

Nos ouvidos? eletrixx - tokyo rush (e-music by Rodrigo)
Nos olhos? A Sombra do Vento (Pâmela, tinha razão)
No coração? Uma porrada de gente.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Serestando, ou seria Serestiando?!

Idos os tempos em que meu avô vestia um terno elegante, passava a mão em seu chapéu panamá e ia às janelas de moçoilas belas, cantar seu coração despedaçado em amores não correspondidos. Fazia-o às vezes aos sábados, domingos, feriados, mas gostava mesmo era das sextas - feiras. Se houvesse lua no céu, melhor ainda. Admirava o rosto da pequena na janela, banhado pelo clarão que a lua fazia. E sentia o coração despedaçar a cada nota do violão choroso encostado ao peito. Cantava com os amigos e, quando por vezes a pequena ingrata não se derretia pelas vozes melodiosas, iam sem destino tocando e cantando rua afora de uma São Paulo antiga que eu não conheci e, talvez, nem você leitor. Eram românticos boêmios que levavam sua juventude diferente da nossa, eram as serestas com seus seresteiros...

Leia lá no Blog da Comunicação, o post de hoje está lá.

É só clicar no link!

Boa leitura e não deixem de assistir ao vídeo e de comentar!

Beijos

Final de semana começando!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Bagunça...


Eu definitivamente não queria estar onde estou! Faz tempo que eu cheguei a essa conclusão, mas entre chegar a ela e assumir que é verdade, vai chão, né?

E hoje ouvi a Pitty pra ver se ela me convencia que não era nada disso: "Eu estou exatamente onde eu queria estar"... mas que nada, a baiana roqueira e descontrolada não me fez mudar de opinião nem um milímetro.

Voltei a Tom Jobim com Vinícius e demais músicas "fossais", porém perfeitas e, vim escrever sobre sonhos, desamores, expectativas e claro, sobre coisas fora de lugar. Além da companhia dos mortos, é incrível que tudo que que tá tocando nesse comutador é de gente que já passou dessa pra melhor (Tom, Vinícius, Elis, Cássia Eller, Renato Russo, Cazuza não necessariamente nessa ordem), uma barra de cerais (ainda não contei do meu novo estilo de vida saudável, né?!)e uma garrafa d'água(aff, é muito saudável, mesmo) e a constante inquietude que me faz morada.

Quando eu digo que não estou no lugar onde queria estar, decerto não necessariamente quer dizer que não é o lugar onde deveria estar. Vai entender as peças que a vida, maledeta, nos prega. Eu tenho um ano e meio de faculdade pela frente ainda. Tenho um TCC para acabar de "bolar" e depois executar e muita grana pra juntar antes de botar o pé na estrada e cair fora.

Mas é exatamente aí um dos problemas, tô sem trabalho já tem um tempinho (leia-se tempão), sem saber por onde andam todas aquelas vagas de emprego que o Wiliiam Bonner me diz que o Lula criou. Sem trabalho, sem dinheiro, sem expectativas e de sobra um tempo ocioso que me põe a pensar asneiras, talvez venha daí a conclusão de lugar errado.

Só que além de achar que estou num lugar que não é o meu, eu tenho me perguntado sobre os sonhos que venho alimentando (e os desgraçados comem cada vez mais) e as expectativas sobre a profissão, o futuro, a vida e blá blá blá. Sabe como é querer estar há mil quilômetros de distância?

Sei que um montão de gente vai saber. Quem nunca teve amor bem longe? (esse é um dos "problemas"). Ou um amigo ou amiga bem querido que fez as malas e se mandou para lugar qualquer do mapa mundi? Ou ainda aqueles que têm o coração descompassado morando fora da sua terra?

É isso, as coisas fora do lugar.
Eu tinha que estar lá e estou aqui.
Eu tinha que estar trabalhando e estou parada.
Eu tinha que fazer amor com o dito cujo e necas de pitibiriba(minha mãe que fala assim).rs

Aí você me diz, caro leitor amigo, como é que eu vou fazer o coração entender o que nem a minha mente disléxica e sem um pingo de atenção entende?

Semana passada arrumei armários, joguei fora montes de papéis que sabe lá porque eu estava guardando (mania de capricorniana louca), me desfiz de roupas, presentes, papéizinhos e "papelzões".
Cartas, agendas, rabiscos, sapatos.
Arrumei gavetas, dobrei roupas, coloquei algumas outras para lavar, outras para tomar um solzinho.
Achei um sutiã que eu amo e nem sabia onde tava. Limpei a mesa do computador, que vive em constante desordem (mas sei absolutamente tudo que há sobre ela).
Apaguei alguns emails velhos que, ou me traziam muitas saudades ou me feriam.
Respondi outros para que pudesse apagá-los.

Enfim, limpei, arejei e desconstruí um monte de coisas(para contruir outras, claro).... E tá lá ainda a maldita sensação de coisa fora do lugar. Lógico, desde o início eu sabia que era interno. Nunca me importei com a minha própria bagunça externa.

Agora, bagunça interna me tira do sério. Me enlouquece. Me põe doida (mais ainda). Mas...tô numa bagunça interna sem tamanho.

Não estou infeliz.
Não estou triste.
Nada de depressão batendo a porta.
É só bagunça, confusão, estranhamento.
Dúvidas que só tenham respostas, talvez daqui uns 30 anos. Mas eu espero. Vou indo atrás delas e, talvez, encontre respostas para outras questões que sequer me fiz.

Aaahh, coisas fora de lugar.

Amores fora do tempo.

A modernidade que se apossa das relações humanas...

Diacho...

Dando crédito: Uma estrada que me levou não lembro aonde, a menina sozinha do google imagem, tela (perfeita) do Dali quase um Salvador, e a menininha ao vento que sempre faz morada no meu msn.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O meu coração não mudou de lugar!

Seguindo a trilha de falar de amigos, vou falar de um trio.
Éramos um quarteto fantástico há uns dois anos.

Mas minha constante vontade de mudar, atualizar, conhecer, descobrir coisas, pessoas, lugares, sensações e idéias diferentes acabou nos afastando. Ou melhor, ME afastando deles.

Passei por momentos decisivos ano passado. Coisas minhas, que me fizeram repensar caminhos, formas, pessoas, situações e sentimentos. Ver que eu queria e precisava sentir novos ventos. Pulei de cabeça, saí correndo de onde eu estava.

Na correria, atropelei algumas pessoas queridas. Tão queridas que não me falaram na hora. Não brigaram comigo. E por mais que doesse nelas, me deixaram alçar meus novos vôos (às vezes) solitários, com novas companhias.

Hoje eu sei que, minha ânsia por saber do que eu não sabia e, experimentar companhias com as quais eu só tinha um contato breve, machucou um amigo. O machucado dele, hoje me machucou.

Quando resolvi me lançar em novas conversas com "novos amigos", talvez não tenha pensado no que estava deixando para trás. Ou talvez ainda, tenha pensado muito e bem no que abandonava. Por isso a decisão de sim, voar de encontro às novidades. Os novos amigos agregados ou conquistados, são, na sua grande maioria, muito importantes. E permanecem, alguns, como deliciosas descobertas. Mas esses três são, sem dúvidas, especiais.

Camila, Thiago e Carol. Os três, que formam o trio ternura e que quando eu estava junto éramos o quarteto fantástico ou, quadrado mágico. Minha relação com a Camila, permaneceu inalterada. As conversas, as confidências, os almoços.

Com a Carol e o Thiago não foi tão simples o afastamento. Eu os magoei, tenho certeza disso. Como tenho certeza de que o carinho, tão grande era, permanece e dá chances hoje para o reencontro. Tão bacana, tão intenso, tão melhor do que já foi um dia.

A impressão que eu tenho, é que estamos continuando de onde paramos. Porque o meu coração não mudou de lugar e o deles, acredito, também não!

PS: numa fase de rever conceitos, repensar atitudes, valorizar o que me é caro. Pra ser perfeito, só falta um trabalho...rs ;)

Nas fotos: a Camila e eu, o Thiago e eu, eu e a Carol...é não temos fotos os quatro juntos. A providenciar, hein?!