terça-feira, 27 de outubro de 2009

Caos premeditado


"E quando eu estiver
Triste
Simplesmente
Me abrace
E quando eu estiver
Louco
Subitamente
Se afaste
E quando eu estiver
Fogo
Suavemente
Se encaixe"...

domingo, 18 de outubro de 2009

Dos instantes mágicos

Há o momento em que a calmaria se transforma em revolta. A chuva na vidraça é temporal e a tormenta arrasta tudo o que há pela frente.

Há aquele instante intocado quando o sonho se transforma em mágica.

O esperado se transforma em milagre. Milagre construído pelo bater de corações sem rumo, desejando se perderem no luar de um céu de estrelas, na cama de lençois amarrotados pelo calor da noite.

Há o instante sufocante de ouvir a voz que diz para arriscar. Há o instante ensurdecedor do bater de um coração temerosamente corajoso pedindo uma loucura.

Há um instante em que todas as loucuras, aos 20 e poucos anos, são justificáveis, aceitáveis.

Há um determinado momento em que sentimos a força de todo o Universo conspirando para um sim.

Há um milésimo de segundo da certeza de poder voar sem guarda-chuva.

Há um minuto da vida em que se deve dizer que vai tentar, vai fazer, vai arriscar sem pensar e nem pesar.

Há um sopro nos cabelos, próximo ao ouvido. É como a voz de Deus a dizer: talvez eu não te dê outra chance como essa, agarre, se cair eu te seguro.

Há o momento em que se decide mudar a rota, os planos, os sonhos. Há um segundo para subir correndo as escadas e descobrir que o fim é apenas o delicioso começo do retumbar do seu coração no meu.

Como quem não quer nada, enxergo este momento aqui, agora, junto ao final.

Um recomeço de milagres criado por nós, através de uma rede de fios, cabos e transmissões.

Como quem não precisa de mais nada dos céus, aguardo suas malas.

sábado, 3 de outubro de 2009

Purgatório

Da beleza e do caos...



Eu não tenho absolutamente nada contro o Rio de Janeiro, que isso fique bem claro desde o primeiro instante. Mesmo porque meu menino é do Rio, apesar de não ter dragão tatuado no braço.


Mas na minha opinião é um absurdo, um desrespeito e um descaso com o esporte mundial e principalmente com o povo brasileiro, o carioca em especial, as Olimpíadas de 2016, serem realizadas em terras tupiniquins. São R$25 bi (de acordo com o Joenal O Dia) investidos em infraestrutura que, teoricamente, depois se transformam em legado para a cidade sede dos jogos e beneficiam milhares de pessoas.

MENTIRA


Pergunte a qualquer carioca bem informado o que foi feito das obras do Pan. Pergunte a ele o estado do Parque Aquático Maria Lenk. Pergunte a um sem teto do Rio de Janeiro se a Vila Olímpica foi transformada em conjunto habitacional popular, como é o correto. Muito pelo contrário, caro leitor.

O Maria Lenk tem limo do portão de entrada até os vestiários e, exceto uma ou outra prova realizada por ali depois, nenhuma criança em situação de vulnerabilidade social pode dar umas braçadas naquelas piscinas, como era o acordado. A Vila Olímpica foi vendida a preço de ouro e, salvo engano, o Romário, é aquele mesmo marrentinho do futebol, comprou grande parte dos apartamentos.


Eu não tenho nada contra o Rio. Em absoluto. Deve mesmo ser deslumbrante dar de cara com a Marina da Glória antes de ir pro trabalho. Não tenho nada contra a vista deslumbrante na saída do Rebouças. Não me oponho a máxima de que o Rio é uma estrela que atrai estrelas.

Eu tenho contra com o que fazem com as crianças sem futuro, com sua inocência roubada, as quais um monte de gente, eu e você inclusive, chamamos de pivete, vez ou outra. Crianças que aos seis anos, correm pelas ruelas do morro alertando os traficantes de que "os homi tão subindo". Os adolescentes de 12 manejando fuzis, melhor do que eu manejo este teclado aos 26.


Tenho contra as famílias que perdem seus filhos para o crak, para cocaína, para os sequestros. Tenho contra a cidade sitiada e só nega isso quem cobre os olhos com uma venda cor de rosa e não quer ver que o governo perdeu as rédeas do Rio há muito tempo.

E até 2016 o Lula e os demais chefes do governo carioca farão o que?
Vão cobrir cada morro da cidade com uma bandeira: Rio love's your? Vão maquiar as crianças no sinal dizendo que são voluntários de boas vindas? E na linha vermelha? Dirão que os tiros são fogos de artifícios comemorando os jogos? É difícil esconder a miséria e a desigualdade quando ela se revela a quem quiser ver, em cada esquina.

Não, eu não tenho nada contra o Rio. Nada contra os corpos reluzentes expostos nas areias quentes e mágicas de uma terra que trabalha ao som do mar. Não tenho nada contra a Pedra da Gávea, contra o por do sol deslumbrante do Arpoador. Nada contra os arcos da Lapa que traduzem a história da música brasileira. Não tenho mesmo.


O que eu quero mesmo entender, é por que existe dinheiro para os Jogos Olímpicos enquanto tanta gente morre de fome no Brasil. Morre mais gente na guerra do tráfico no Rio do que em qualquer guerra no Oriente. Eu queria entender por que não há dinheiro para que todas as crianças em idade escolar estejam na escola, tenham comida na mesa e pais empregados, mas há para o Lula, o Pelé e a Globo comemorarem os Jogos Olímpicos.


Não, eu não tenho nada contra o Rio, tenho contra essa hipocrisia generalizada que assola o país. Contra esse governo de merda (sim, o blog é meu e eu posso falar assim) que encarnou a máxima Bolsa Esmola e Circo para o Povo e contra esse povo que faz festa e nem viu que o Sarney saiu a francesa e pagamos de trouxa mais uma vez.


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Pagando uma dívida
Por causa da correria do útimo ano de faculdade as postagens estão ultrapassadíssimas por aqui, não?

Porém, não me esqueci da promoção "O que você gostaria de receber pelos Correios?" Mas preferi esperar a greve passar para divulgar que o ganhador foi...

O Flávio Ferrari, meu leitor muito do recente, lá do Arguta Café e que, incrivelmente, conseguiu em duas linhas dizer exatamente o que todo mundo adoraria receber pelo Correio
Queria receber uma cartinha singela com os dizeres:
"Caro Flavio,
Informo que seu pedido foi aprovado e será atendido no prazo máximo de 3 dias úteis.
Assinado: Deus "
É Flávio, eu também estou precisando de uma dessas.

Confesso que foi bem difícil escolher já que as frases da Marcela, da Sammy, da Carol e do Carlos me conquistaram assim logo de cara, mas o Flávio conseguiu resumir o de todo mundo em um. Seria injusto não reconhecer.

Por isso, aguardo o seu endereço no fernanda.pereira01@gmail.com, para poder te mandar uma surpresa pelos Correios (não mais em greve).

Muito obrigada a todos que participaram, pudera eu mandar um agrado a todos, mas ficam aqui os meus mais sinceros agradecimentos.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O oceano em um tapete azul



Dos degraus na porta da casa de São Paulo.

Da mesa redonda na entrada, que poderia abrir e virar uma mesa oval.

Das cadeiras com assento de veludo.

Do sofá claro.

Da época em que a casa era toda acarpetada.

Do religioso horário das novelas.

Das palavras cruzadas.

Da mesinha branca com banquinhos na cozinha.

Das frutas na sobremesa.

Do macarrão, o bolinho de batata, os croquetes, o nhoque.

Do tempo em que o banheiro dava na cozinha.

Da escova de tomar banho enorme da Europa.

Do armário que rangia as portas e denunciava o furto dos biscoitos.

Das jóias para sair.

Dos sapatinhos peep toe.

Do anel com uma pedra roxa.

Dos picolés de côco nas tarde quentes nas férias no apartamento da praia.

Das caminhadas a beira-mar, aprendendo a ser guiada pela cor dos prédios.

Das nossas cadeiras na beirinha da água do mar.

Das histórias de uma São Paulo dos anos 20, 30, 40...

Do sorvete de pistache.

Dos modos à mesa.

Das visitas no tio Dori.

Das castanhas portuguesas.

Do tapete azul no centro da sala que era todo o meu oceano.

Das lembranças mais doces da minha vida, que são também as mais simples, de tudo o que aprendi a amar com a minha avó, bisavó, que neste final de semana foi fazer palavras cruzadas com Deus.



terça-feira, 11 de agosto de 2009

Da doce arte de ser mulher



Ela passou o primeiro dia empacotando todos os seus pertences em caixas, engradados e malas.

No segundo dia chamou os homens da transportadora que levaram a mudança.

No terceiro ela se sentou pela última vez na bela mesa da sala de jantar, à luz de velas, uma música suave e se deliciou com camarões, um pote de caviar e um garrafa de Chardonnay.

Quando terminou, foi a cada um dos aposentos e colocou alguns pedaços de casca de camarão, besuntados com caviar, nas cavidades dos varais das cortinas.

Depois ela limpou a cozinha e se foi.

Quando o marido retornou com a nova namorada, tudo estava um brinco nos primeiros dias.

Depois, pouco a pouco, a casa começou a feder.

Eles tentaram de tudo: limpando, lavando e arejando a casa.

Todas as aberturas de ventilação foram verificadas à procura de possíveis ratos mortos e os tapetes foram limpos com vapor.

Desodorantes de ar e ambiente foram pendurados em todos os lugares.

A empresa de combate a insetos foi chamada para colocar gás em todos os encanamentos. Durante alguns dias tiverem de sair da casa e, no fim, ainda tiveram de pagar para substituir o caríssimo carpete de lã.

Nada funcionou!

As pessoas pararam de visitá-los.

Os funcionários das empresas de consertos se recusavam a trabalhar na casa.

A empregada se demitiu.

Finalmente eles não suportavam mais o fedor e decidiram se mudar.

Um mês depois, apesar de terem reduzido o valor em 50%, não conseguiram um comprador para a casa fedorenta.

A notícia se espalhava e nem mesmo corretores de imóveis locais retornavam as ligações.

Então tiveram de fazer um grande empréstimo no banco para comprar uma casa nova.

A ex-esposa ligou para o ex-marido e perguntou como andavam as coisas.

Ele disse a ela o martírio da casa podre.

Ela escutou pacientemente e disse que sentia muitas saudades da casa antiga e que estaria disposta a reduzir a parte que lhe caberia do acordo de separação dos bens em troca da casa.

Sabendo que a ex-mulher não tinha ideia de como estava o fedor, ele concordou com um preço que era cerca de 1/10 do que valeria a casa. Mas só se ela assinasse os papéis naquele dia mesmo.

Ela concordou e em menos de uma hora os advogados dele entregavam os documentos.

Uma semana depois, o homem e sua namorada assistiam, com um sorriso malicioso, os homens da mudança empacotando tudo para levar para a nova casa, inclusive os varais das cortinas!

PS: O texto não é meu. Recebi por email e gostei tanto que apenas dei um tapa na ortografia que não era lá essas coisas. Se alguém souber quem é o autor, me avisa que dou os créditos!

Mas que é uma delícia, isso é!

PROMOÇÃO

Aproveitando as emoções despertadas com o post E.C.T., que inclusive foi roubado pelas inflamáveis (ó isso foi legal, hein?) e queridas proprietárias do Calcinhas no Box, o Compulsão lança uma promoção:

Faça uma frase dizendo o que você adoraria receber pelos Correios. A frase mais criativa (sarcástica, humorada, espirituosa, engraçada e etc etc etc) receberá, pelos Correios, uma surpresa deliciosamente compulsiva.

As frases deverão ser enviadas para o e-mail: fernanda.pereira01@gmail.com, no assunto coloque: FRASE_PROMOÇÃO. Não se esqueça de colocar nome, link do seu blog e e-mail.


As frases podem ser enviadas até o dia 31/08/2009.

Diz aí, o que você adoraria receber pelos Correios?

Atenção namorado e irmã estão proibidos de participar!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

E.C.T.


Eu sempre pensei muito em todas as coisas fantásticas que moram dentro da bolsa do carteiro e das agências de Correio.

Hoje, quando o namorado mora no Rio de Janeiro e eu aqui no Cudumunópolis, me tornei (e ele também) assídua usuária da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, ECT. Outro motivo para que eu seja uma fiel consumidora dos amarelinhos, patrocinadores dos esportes aquáticos brasileiros, é o fato de morar no Findimundópolis onde, dificilmente, se tem acesso a coisas bacanas. Como, por exemplo, minhas Melissas queridas.


Abrindo um parênteses aqui, um modelo de Melissa que no site da própria é vendido, no ato do lançamento por 99 dinheiros, pode ser encontrado em uma lojinha medíocre do (mini) Shopping Campo Grande, por 172 dinheiros!!!!!!!!!


Dadas as condições da brasileira eu compro pela internet, compro mesmo e compro muito. Melissa, CD, DVD, presente para namorado, livro, uma infinidade de coisas que mesmo com o valor do frete dos meus amados Correios, ainda fica mais barato do que comprar aqui na terra dos nelores.


Explicado isso continuemos.


Na última semana esperava duas entregas dos Correios, um presente do namoradinho (DVD e chocolates...hummmm) e duas Melissas. Idiotamente eu falei para endereçarem para minha casa, onde não fica ninguém em horário comercial, logo o carteiro gastou a gasolina da carroça de entregas para ir a minha humilde residência e deu com os burros n’água. Liguei para lá e combinei de retirar no Centro de Distribuição.


Antes de ir, olhei no Google Maps como se chegava, mesmo assim me perdi e fui para o lado contrário, andei umas 10 quadras a mais (isso precisa parar), mas consegui chegar.


Como não poderia deixar de ser em terras Tupiniquins uma fila antecedia ao guichê onde me entregariam meus pacotes queridos e esperados. Respirei conformada e esperei.


O que parecia ser então um tempo normal de espera por um atendimento burocrático se transformou em um delicioso compartilhamento das expectativas alheias.


Para minha surpresa as pessoas ao pegarem seus pacotes os abriam ali mesmo, junto com o atendente dos Correios. O garoto da vez era alto, bonitinho, vestia bermudas, camiseta regata e tênis, como os jogadores de basquete, abriu seu pacote, os olhos brilhavam e o moço do guichê, tão curioso quanto ele, parou seu trabalho apara acompanhar de perto a descoberta do conteúdo. Um casaco, uma camiseta e uma bermuda. UAU, ele também compra pela internet. Feliz da vida, assinou e saiu.


A próxima era uma senhorinha, curvadinha, vestido florido, cara de vó e certamente sabia fazer bolinho de chuva. Uma caixinha pequena a esperava, aberta sem tanta gana embalagens de remédios foram reveladas. Remédio não, Cogumelo do Sol. UAU, tem gente que compra? Legal, assinou e saiu.


E eu ali, compartilhando das encomendas alheias, degustando da felicidade alheia de abrir um pacote, que coisa incrível acontece nos olhos das pessoas quando elas abrem pacotes, já percebeu?


Mais duas pessoas me chamaram atenção. Uma moça de uns 20 e poucos anos que recebeu uma caixa maior do que as que já haviam sido abertas. De dentro saiu um sapatinho de bebê vermelho, um macacão com letrinhas japonesas e uma cartona pulou para as mãos dela. Olhei atentamente esperando que ela começasse a ler ali, já que compartilhávamos dos presentes, por que não da carta? Mas ela apenas leu as primeiras linhas em silêncio, os olhos começaram a nadar e, antes que se afogassem, ela assinou e saiu. Felicidade com saudade, entendo ela.


Chegou a vez da moça a minha frente, minha vizinha de fila. Estavam ela e uma mulher mais velha, devia ser a mãe. Entregou o comunicado de entrega. Eu já não cabia em mim de ansiedade porque já havia decidido abrir meus pacotes só em casa, quando, de repente, o moço do Correio volta lá de dentro com uma caixa ENORME.


O sorriso da minha vizinha enche a agência, e ela dá pequenos pulinhos, segura no braço da mãe que também sorri tentando esconder a emoção.


Começa a abrir o pacote cheio de letrinhas e carimbos, dando a impressão de que viajou muitos quilômetros, de dentro da primeira caixa pula para as mãos dela uma caixa nova, vermelha com corações brancos e um laço de fita (adoro laços). Pude perceber que as mãos dela tremiam e a boca era de um sorriso meio torto, os olhos não sabiam no que concentrar-se.


Como em uma cena planejada ela foi abrindo lentamente a caixa de corações, até que surgiu lá de dentro um vestido de noiva. Branco, lindo, do tamanho dela e um envelope azul. Mãe e filha se abraçam, ela já não esconde as lágrimas (e nem eu), o namorado que mora em Portugal encontrou um jeito inusitado de pedi-la em casamento. Assinou e saiu, a mais feliz das mulheres naquele instante.


Chegou a minha vez, entreguei a solicitação expliquei que apesar de ser só uma eram dois pacotes. Foi lá dentro, demorou, voltou com minhas caixas. Uma grande e uma pequena. Uma comercial, uma apaixonante. Me entregou e ficou olhando como quem pede para abrir.


-Eu só vou abrir em casa.


Senti que ele quis me chamar de egoísta. Fui para casa.


No caminho, dentro do ônibus, sentada com as caixas no colo, olhando pela janela me peguei pensando na vida secreta que cada pessoa tem e o resto do mundo não enxerga.


Nas coisas preciosas que passam pelos Correios todos os dias, nos presentes incríveis que as pessoas desembrulham. Nas compras feitas, na ansiedade de receber a encomenda, nas expectativas que a gente fica quando espera um presente de namorado. E entendi um pouco a vontade avassaladora do Igor de fazer segredo dos presentes manda e eu, sempre estrago (a surpresa e não o presente).


É gostoso ser humano, alimentar expectativas.


E observar a alegria alheia é uma delícia!


terça-feira, 21 de julho de 2009

O meu lado negro da força, uma confissão

Há um lado obscuro da minha personalidade, que minhas amigas e amigos não conhecem. Acho inclusive que você, meu leitor ou minha leitora, também nem imagina.

É algo muito mais forte que eu, que não consigo controlar. Vem de dentro, coça, incomoda, instiga (calma que não é frieira) e me faz cometer verdadeiras loucuras. Atrocidades em nome desse meu lado vilão.

Não tenho como apontar apenas um motivo, mesmo porque para fazer isso eu teria que procurar um psicólogo (Igor vai dizer que preciso de psiquiatra) e passar anos em terapia intensiva para desvendar os motivos do lado negro da força, ou melhor, da fraqueza de Fernanda, essa que vos fala.

Não é apenas uma coisa que desperta esse vício. São várias, não, são algumas poucas. De muitas cores. Rosa, roxo, vermelho, azul, preta, ah pretas me destroem. Passo dias olhando, investigando, fazendo perguntas, cercando por todos os lados, como um lobo à sua presa. E quando menos se espera, meu lado obscuro salta fora e deixa sair de mim todo meu lado perua.

Eu adoro moda. Gosto dos desfiles. Gosto de bolsas. Gosto de maquiagem.

AMO Melissa.

Tenho poucas bolsas, roupas só as do dia a dia mesmo, maquiagem eu nem uso, mas Melissas, daria pra abrir uma loja, só com um tamanho de pé, mas daria.

Me sinto fútil, me sinto patricinha, mas adoro Melissa. Meu espírito consumista se torce e retorce por elas. Tantas as vezes que e já fiz posts neste espaço sobre o “não ser de plástico”, de ter o direito de pesar mais do as modelos cabides. De comprar roupa na sessão fofa das lojas. E me rendo, eu sou de plástico.

Plástico com cheiro de chiclete e cores não convencionais. Meu lado perua se sobrepõe ao meu lado de jornalista responsável, engajada nas causas sociais, crítica e se derrama por uma sandalinha de plástico cheirosinha.

Já conheço todos os modelos da nova coleção. Passei duas madrugadas tentando ganhar o modelo promocional no site. Sofro por nunca ter ido à Galeria Melissa, na Oscar Freire, em São Paulo. Enlouqueço por que o salário da estagiária não dá conta do vício.

Sim, vício. Pode perguntar para qualquer menina que usa Melissa, depois da primeira não dá mais para parar. Deve ser o cheiro! Você já cheirou uma Melissa novinha?

É inebriante... (gente, eu tô surtada, admito)

Precisava fazer esse desabafo. Precisava contar para vocês que não sou 100% politicamente correta. Pelo contrário, sou fútil, sou ligada em acompanhar as tendências da moda, maquiagem, consumista.

Meu lado negro da força que me alimenta e me faz trabalhar mais, para ter mais dinheiro para consumir (que horror).

E você? Qual o seu lado negro da força?


PS: todos os modelos do post moram na minha casa!

sábado, 18 de julho de 2009

O começo do fim


Maldizemos de tal maneira as encruzilhadas do caminho que, depois do fim, não nos lembramos de que foram elas as responsáveis pelas decisões, guinadas e vôos mais altivos da trajetória.

Em quatro anos de faculdade incontáveis foram as vezes que me deparei com caminhos bifurcados.

Este ou aquele, direita ou esquerda, aqui ou lá?

Indecisa por natureza sempre tive muitas dúvidas, mas nunca me arrependi de nenhuma direção escolhida, apenas fui em frente. Algumas escolhas foram tremendamente acertadas, outras representaram as maiores cagadas (com o perdão do termo) da minha vida, acadêmica, profissional ou pessoal.

E agora no último ano, nos últimos meses, dedicados (ou pelo menos deveriam) à preparação do Projeto Experimental, faço um balanço das minhas encruzilhadas. Algumas que me trouxeram infindáveis sorrisos. Outras me trouxeram dissabores que ainda amargam, ardem, talvez até machuquem.

Quando prestei (e passei) vestibular, tinha acabado de trocar de emprego. Ganhava muitíssimo bem para uma pirralha de 20 e poucos anos, viajava, bebia e comia do bom e do melhor. Mas precisava fazer faculdade. Consegui do Lula, o presidente aquele, uma bolsa integral em uma universidade particular, da qual eu não tinha o menor orgulho. Passei de 2° chamada na Federal e me vi diante da primeira das dezenas de encruzilhadas que viriam.

Ir para a federal ou ficar na particular?

Na federal faltariam materiais, professores, salas, cadeiras. Sobraria descaso, dor de cabeça e atrasos. Minha bolsa na particular estava garantida pelos próximos 4 anos. Na federal rolariam papos que, quiçá, um dia salvem o mundo, desafios e vida universitária de verdade. Na particular tinham as patricinhas e suas roupas de grife, as bolsas Channel e o intervalo parecia recreio do Ensino Médio.

Uma ligação: “Oi, sou o Rafael da UFMS, vc foi aprovada de segunda chamada, Jornalismo. Vai ficar com a vaga? Tem até amanhã para vir fazer matrícula”.

Peguei a bolsa e disse ao chefe: -Preciso voltar meu horário para matutino, desconta meu dia de hoje que tô de saída.

Fiz a matrícula. Só voltei à particular para devolver a bolsa, assim outro aluno poderia ocupar o meu lugar.

Sabia que era a decisão mais certa e a mais idiota. Meu diploma tem peso, queiram ou não. Foda-se (com perdão da palavra de novo) ministros e ucdbistas em geral.

Nasci jornalista, não foi a faculdade que me tornou uma. Está no sangue, no pensamento, na forma de agir, questionar, investigar querer saber. Tenho sede de gente, de suas histórias de seus casos. De justiça, de igualdade e de luta. Idealista sim, assim como “Anarquista, graças a Deus”.

E aí vieram a tormenta, o caos, a falta de identificação com os colegas de faculdade. Eles com 17 eu com 23. Já tinha tido 3 empregos, já tinha ganhado bem e trabalho muito. Ganhava meu dinheiro, pagava minhas contas, respondia pelos meus atos.

Pode parecer pouco, mas havia (e muitas vezes ainda há) um abismo entre nós. Eles ganhavam carros por passar no Vestibular e eu acordava às 4 da manhã para pegar o primeiro ônibus e ir trabalhar. As vezes assistia aula em período integral e ia dormir depois da meia noite, quando chegava da aula.

Escolhi os amigos errados que acabaram por me mostrar o quanto outros caminhos seriam muito mais legais. Mudei de amigos, mudei de caminho, tomei decisões. Os amigos novos mudaram, abandonaram decisões seguiram. Mudei de novo, traída por quem eu menos esperava e mais amava, mudei de novo. Escolhi caminhos que me aproximaram de uma vida acadêmica intensa, atuante e enriquecedora. As noitadas, bebedeiras e carnavais eu já havia dito aos 18.

Meu espírito é velho, eu sou velha.

Quatro anos de curso, três namorados, duas DP’s, um monte de exames. Tardes na faculdade, noites insone, risadas e lágrimas. Alguns eventos, nenhuma viagem (eu trabalho demais e ganho de menos), uma porção de broncas. Aulas, elogios e putiadas (desculpa outra vez) do jornalista que eu quero parecer quando crescer.

Levo dos quatro anos um amigo que escolhi como irmão, que tenho perto mesmo que nossos almoços estejam rareando, as conversas sempre intensas. Uma amiga que escolhi como irmã, sempre longe, mas nunca do lado de fora de mim. Professores cúmplices do meu crescimento profissional. A alma em paz, cúmplice do meu crescimento pessoal.

Eu sou um ser humano melhor, certamente.

O amor da minha vida, complemento de todo o resto.

Ainda falta o Projeto Experimental, essa é só uma parte da despedida do que começou a acabar. Talvez não seja a parte mais difícil, mas é certamente a mais complexa.

Agradeço aos professores que tornaram as pedras do caminho menos pontiagudas. Agradeço aos traidores que fizeram com quem eu me lembre que eu posso ser sempre melhor, apesar do fel. Agradeço ao amigo, que ensina todo dia que amor é respeito.

Foram os quatro anos mais enriquecedores, quatro anos de despertar, de enxergar o mundo com olhos jornalisticamente apaixonados e isso não depende de diploma, de aprovação e nem de fotos no orkut de sites de baladas. Só dependeu de mim, o tempo todo dependia de mim!

As minhas encruzilhadas, às vezes, só me parecem encruzilhadas depois que chego no final do caminho que escolhi. Como capricorniana tomo decisões sensatas, acertadas, pensadas e repensadas. Piso no seguro e levo comigo só quem vale a pena. Como escorpiana, exercito meu espírito transgressor, alucinado e inconsequente.

Talvez dê certo exatamente pelo inesperado da mistura de tantas misturas.


PS: Ganhei um prêmio do Luciano. Lú não vou declinar, não. Mas entra no próximo post, tá?

;)



terça-feira, 23 de junho de 2009

Os dias da chicória


Você sabe o que é uma chicória?

Eu te explico: chicória (Cichorium intybus) é uma verdura que faz um bem danado à saúde, por ter folhas verde escuro é uma grande fonte de ferro e fibras. Mas o sonho da chicória era ser alface. Lisinho, verdinho, pode ser crespo, liso, mimoso, ate roxo o safado do alface consegue ser, além do sabor prazeroso e do efeito calmante. Já a chicória é de um verde escuro de doer, não combina com nada. Peludinha, áspera e o pior, amarga. Amarga que só chicória.


Apesar da chicória raramente enxergar suas qualidades e, na maioria das vezes, se concentrar no que não se enquadra nos padrões, ela é uma excelente ajuda para pessoas com problemas na visão, com intestino preguiçoso, limpa o fígado, estimula o baço, além de fortalecer os ossos, dentes e cabelos. Como você pode perceber apesar de todos os benefícios para a saúde a chicória ainda é marginalizada e tida como amarga.

Todo esse nariz de cera aí, para contar que eu estou nos meus dias de chicória. Amarga, áspera e, se duvidar, venenosa.

E como eu deveria me sentir quando aquela que você tem como sua melhor amiga olha nos seus olhos, abaixa e puxa seu tapete?


Me sentir chicória, né?

Nunca fui traída por namorados (não que eu saiba), mas acredito que o tanto que dói quando um amigo te passa uma rasteira é maior do que um namorado qualquer na cama com uma loira do tipo Pamela Anderson.


Você faz planos, cria expectativas, trabalha, trabalha, trabalha e trabalha na execução de um projeto que era a “menina dos olhos” das duas pessoas. Quando menos espera, linda, loira e sem explicações plausíveis, ela te manda um email, com meia dúzia de linhas e diz: não quero mais, minha vibe é outra.

O que fazer além de se sentir chicória?


Ah, Fernanda, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, há de dizer o caríssimo leitor. Sim é claro, não da para ficar olhando a banda passar. E a chicória já resolveu os problemas inerentes (adoro falar inerente e instrínseca) a puxada tapetal, mas o sentimento de chicória permanece.


E, talvez, seja mesmo bom ficar nessa salada uns dias. É bom sentir dor e deixar que ela te amorteça, para mais para frente lembrar de ter cautela com as pessoas, ou com algumas pessoas.

Amizade nem sempre tem o mesmo valor para uns e para outros, tomar consciência disso, faz parte das minhas resoluções de ano novo, todos os anos.
E eu não aprendo! Isso só para citar o lado da amizade, sem levar em conta o lado profissional da coisa. Porque aí, o buraco é mais embaixo, bem mais embaixo e fica para os próximos capítulos.

Na minha fase chicória, limão, sal e azeite!


E pimenta, muita pimenta!!!


A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.



quinta-feira, 18 de junho de 2009

Já para a cozinha, jornalista


Eu me formo esse ano em Jornalismo em uma Universidade Federal, e grande coisa pra mim, o STF acaba de derrubar a obrigatoriedade do diploma para essa profissãozinha de araque.

Porque se cozinheiro e costureira não precisam de diploma, pra quê jornalista precisa?

Muito bem, eu não sou a favor da obrigatoriedade do diploma, não penso que ter ou não ter diploma é o que credita uma pessoa a ter responsabilidade no que divulga, na forma como o faz. Mas é fato que a responsabilidade da informação passa pelos bancos da faculdade. A formação humana, ética e cultural é intrínseca a vida universitária.

Não acredito que os salários serão desvalorizados, nem que empresas de comunicação responsáveis contratarão qualquer "zé mané" para a vaga que, teoricamente, era minha. Mas é fato que hoje, com diploma, tem uma pá de gente que faz, divulga, publica e vende merda e muita gente acha bom.

Em um país onde a educação não é prioridade, o presidente não tem formação superior e quem determina se jornalista precisa ou não de diploma nunca foi jornalista...

E, já que agora tanto faz se eu quero ser jornalista ou cozinheira, segue uma receitinha deliciosa:

Bolo de Caneca
Tempo de preparo:4 minutos
Valor estimado: bem baratinho
Ingredientes:

1 ovo
3 colheres (sopa) de farinha de trigo
3 colheres (sopa) de açúcar
2 colheres (sopa) de óleo
2 colheres (sopa) de chocolate ou achocolatado
3 colheres de leite (eu uso água, porque não posso com leite e o resultado é o mesmo)
1 colher (chá) de fermento em pó. (o pó royal, sabe?)

Coloque tudo em uma caneca alta e bata com um garfo (ou um fuê) até virar uma massa líquida e homogênea. Aí leve ao micro ondas (é agora é separado) por 3 minutos na potência máxima.

Pronto, pode comer!

Alerta:

Cresce muito e se sua caneca for baixinha vai transbordar e fazer uma lambança, então você pode fazer uma receita e dividir em duas canecas ou fazer em uma caneca beeem alta. É gostoso comer quentinho.

Variações:
-Se você não colocar o chocolate e trocar o leite (ou a água) por suco de laranja tem um bolo de laranja! E isso vale pra qualquer outro sabor;
-Se colocar raspinhas de chocolate ele vai chegar bem perto de ser um petit gateau (de pobre), é só completar com uma bola de servete de creme e umas folhinhas de hortelã (ai, amo);
-Se colocar metade farinha e metade maizena fica bem parecido com muffins
.