Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Os dias da chicória


Você sabe o que é uma chicória?

Eu te explico: chicória (Cichorium intybus) é uma verdura que faz um bem danado à saúde, por ter folhas verde escuro é uma grande fonte de ferro e fibras. Mas o sonho da chicória era ser alface. Lisinho, verdinho, pode ser crespo, liso, mimoso, ate roxo o safado do alface consegue ser, além do sabor prazeroso e do efeito calmante. Já a chicória é de um verde escuro de doer, não combina com nada. Peludinha, áspera e o pior, amarga. Amarga que só chicória.


Apesar da chicória raramente enxergar suas qualidades e, na maioria das vezes, se concentrar no que não se enquadra nos padrões, ela é uma excelente ajuda para pessoas com problemas na visão, com intestino preguiçoso, limpa o fígado, estimula o baço, além de fortalecer os ossos, dentes e cabelos. Como você pode perceber apesar de todos os benefícios para a saúde a chicória ainda é marginalizada e tida como amarga.

Todo esse nariz de cera aí, para contar que eu estou nos meus dias de chicória. Amarga, áspera e, se duvidar, venenosa.

E como eu deveria me sentir quando aquela que você tem como sua melhor amiga olha nos seus olhos, abaixa e puxa seu tapete?


Me sentir chicória, né?

Nunca fui traída por namorados (não que eu saiba), mas acredito que o tanto que dói quando um amigo te passa uma rasteira é maior do que um namorado qualquer na cama com uma loira do tipo Pamela Anderson.


Você faz planos, cria expectativas, trabalha, trabalha, trabalha e trabalha na execução de um projeto que era a “menina dos olhos” das duas pessoas. Quando menos espera, linda, loira e sem explicações plausíveis, ela te manda um email, com meia dúzia de linhas e diz: não quero mais, minha vibe é outra.

O que fazer além de se sentir chicória?


Ah, Fernanda, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, há de dizer o caríssimo leitor. Sim é claro, não da para ficar olhando a banda passar. E a chicória já resolveu os problemas inerentes (adoro falar inerente e instrínseca) a puxada tapetal, mas o sentimento de chicória permanece.


E, talvez, seja mesmo bom ficar nessa salada uns dias. É bom sentir dor e deixar que ela te amorteça, para mais para frente lembrar de ter cautela com as pessoas, ou com algumas pessoas.

Amizade nem sempre tem o mesmo valor para uns e para outros, tomar consciência disso, faz parte das minhas resoluções de ano novo, todos os anos.
E eu não aprendo! Isso só para citar o lado da amizade, sem levar em conta o lado profissional da coisa. Porque aí, o buraco é mais embaixo, bem mais embaixo e fica para os próximos capítulos.

Na minha fase chicória, limão, sal e azeite!


E pimenta, muita pimenta!!!


A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.



Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Já para a cozinha, jornalista


Eu me formo esse ano em Jornalismo em uma Universidade Federal, e grande coisa pra mim, o STF acaba de derrubar a obrigatoriedade do diploma para essa profissãozinha de araque.

Porque se cozinheiro e costureira não precisam de diploma, pra quê jornalista precisa?

Muito bem, eu não sou a favor da obrigatoriedade do diploma, não penso que ter ou não ter diploma é o que credita uma pessoa a ter responsabilidade no que divulga, na forma como o faz. Mas é fato que a responsabilidade da informação passa pelos bancos da faculdade. A formação humana, ética e cultural é intrínseca a vida universitária.

Não acredito que os salários serão desvalorizados, nem que empresas de comunicação responsáveis contratarão qualquer "zé mané" para a vaga que, teoricamente, era minha. Mas é fato que hoje, com diploma, tem uma pá de gente que faz, divulga, publica e vende merda e muita gente acha bom.

Em um país onde a educação não é prioridade, o presidente não tem formação superior e quem determina se jornalista precisa ou não de diploma nunca foi jornalista...

E, já que agora tanto faz se eu quero ser jornalista ou cozinheira, segue uma receitinha deliciosa:

Bolo de Caneca
Tempo de preparo:4 minutos
Valor estimado: bem baratinho
Ingredientes:

1 ovo
3 colheres (sopa) de farinha de trigo
3 colheres (sopa) de açúcar
2 colheres (sopa) de óleo
2 colheres (sopa) de chocolate ou achocolatado
3 colheres de leite (eu uso água, porque não posso com leite e o resultado é o mesmo)
1 colher (chá) de fermento em pó. (o pó royal, sabe?)

Coloque tudo em uma caneca alta e bata com um garfo (ou um fuê) até virar uma massa líquida e homogênea. Aí leve ao micro ondas (é agora é separado) por 3 minutos na potência máxima.

Pronto, pode comer!

Alerta:

Cresce muito e se sua caneca for baixinha vai transbordar e fazer uma lambança, então você pode fazer uma receita e dividir em duas canecas ou fazer em uma caneca beeem alta. É gostoso comer quentinho.

Variações:
-Se você não colocar o chocolate e trocar o leite (ou a água) por suco de laranja tem um bolo de laranja! E isso vale pra qualquer outro sabor;
-Se colocar raspinhas de chocolate ele vai chegar bem perto de ser um petit gateau (de pobre), é só completar com uma bola de servete de creme e umas folhinhas de hortelã (ai, amo);
-Se colocar metade farinha e metade maizena fica bem parecido com muffins
.


Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Lado Perfeito



E almoçei sozinho hoje, em um andar onde não tem nada, nem ninguém, para ficar sozinho com meus pensamentos, comigo mesmo, com Deus e com minha mente focada em você.

E eu estava aqui pensando o que me fez amar esse homem que eu não vejo, não toco, não sinto o gosto nem o cheiro. Não sei como reage a pele dele ao toque, não sei como os olhos dele se movimentam quando ele sorri, não sei como ele fica quando está nervoso, nunca o vi tirando os sapatos.

Eu também não sei explicar o que me faz amar essa mulher tão palpável para mim, tão presente e, eu não acaricio seus cabelos, não sinto o perfume exalar da sua pele, nem seguro suas mãos. Não beijei seus dedos ou coloquei minha cabeça no seu colo. Não sei o gosto de morder a sua pele.

Não sei se ele coloca primeiro a calça ou a camisa, nem sei se calça o sapato antes de vestir a camisa. Não sei qual a pasta de dentes que ele mais gosta, não sei como ele se portará na rua comigo. Não sei se ele vai querer fazer meu pedido no restaurante, não sei se vai querer pedir o mesmo que eu, não sei se vai acertar na minha bebida.

Não sei como ela andará comigo na rua, nem se ela saberá minha bebida favorita. Não sei se ela descobrirá o sorvete que mais gosto ou o que eu tomo todos os dias, religiosamente.
Não sei se esse moço vai me cobrir de flores, nem se um dia vai poder me cobrir de jóias. Não sei se, sozinho, ele vai acertar os presentes.

Não sei se ela quer que eu a cubra de rosas, narcisos, violetas, girassóis ou crisântemos. Não sei se um dia ela vai achar que eu não sei escolher presentes. Não sei se ela dorme de lado, de bruços, de conchinha, os sapatos que ela gosta de calçar (além de Melissa), a quantidade de choros que ela tem por dia, se ela divide a sobremesa.

Não sei se ele vai decorar minhas preferências na cama, na mesa. Não sei se vai se lembrar de levar sabonete infantil quando viajarmos, nem se vai me emprestar um pedaço do armário.

Não sei qual lado do armário ela vai querer. Não sei se rirei ou gargalharei das manias delas, muitas delas que vão lembrar a mim mesmo. Qual o sabonete infantil favorito dela, os chinelos que mais gosta de usar, se anda em casa descalça ou de chinelos e se gosta de olhar e contar as estrelas comigo.

Não sei se vai rir das minhas manias ou se vai achá-las tolas e infantis. Não sei desse moço nada mais do que o que ele próprio já me contou.

Não sei se ela arruma a cama depois que acorda ou se volta para cama depois que acorda só para ficar mais 5 minutinhos abraçada.

Só sei que se eu pudesse escolher novamente um amor, eu escolheria esse. Mil vezes eu tornaria a escolhê-lo, mil vidas eu quero ser dele, mil vezes eu quero amá-lo.

Eu já desisti há muito tempo de entender como posso amá-la tanto assim. Mas descobri que não quero mais outra pessoa nessa vida, na próxima, na próxima e em quantas reencarnações meu espírito precisar para alcançar a redenção, pois encontrei você, meu lado perfeito!


Um texto escrito a quatro mãos, sem nenhuma intenção de ser o ideal. Só pra lembrar a você que leu que acreditar no amor ainda é muito mais gostoso.



Feliz Dia dos Namorados!

Fernanda Pereira e Igor Garcia

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Inexplicável vontade de não ficar


Quando não cabe mais do lado de dentro começa a exalar, sai pelos poros, transborda, inflama.

É vontade de partir, de abandonar, de não estar no mesmo lugar.


É vontade de romper com a estagnação, de avançar fronteiras sem mostrar documentos.


É voar sem passaporte, é estar sem ser consorte.


É mandar pra lá o azar, é abraçar pra dizer que vai ficar, vai sentar, vai estar, quando só se sabe amar.


É um jeito estranho que o corpo usa para se rebelar.

É ausência, incompletude, sem consubstancialidade com as calçadas que pisa.

É ver asas a crescer nas costas, no pensamento, nos pés.


É fazer e desfazer as malas mentalmente mil vezes por dia.


É saber a roupa que vai usar daqui 3 meses.

É saber que o batom vai ser claro, quase brilho, sem rímel, sem pó. Só a cara lavada de pau que Deus deu.

É saber que a voz vai sair entrecortada, misturada aos sussurros contidos. Embargada, molhada, marejada, emocionada.


É saber em maio que o dia vai ser azul em agosto, porque de azul é feito o amor. De azul e de cheiro de amarelo.

O sabor é pimenta, é kani, é chocolate ao leite, é meio amargo.


É frio na espinha, na barriga, na cabeça, é calor no coração.

É saber que se fechar os olhos os pés sabem o caminho do caminho ainda não percorrido, é saber os ruídos da cidade não visitada, da casa ainda não alugada, dos móveis não comprados.

É ouvir o chiado do café pingando e o aroma se espalhando pelo ar.


Amor é como café bom. Quente, forte, doce na medida.


Toma conta do ambiente.


Aquece, acorda, levanta.


Café é como amor...


Vontade de ir, inexplicável vontade de não ficar.

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Hitler na indústria têxtil

Ou: de como é a saga de quem não veste 38.

No final de semana fui às compras (tudo em 5X sem juros que é pro meu salário dar conta), como estagiária fui às lojas de departamento. Sabem aquelas grandes cheias de araras pelo meio da loja, com uma porção de roupas iguais de todos os tamanhos? É pois é.

Todos os tamanhos não, né? Calças 38 e blusas P. Você veste isso? Eu não!

Todos os dias os jornais avisam que a população está maior, mais gorda (tá, gordinha pra ficar delicado), mas as roupas nas lojas diminuem. Afinal como diria Nigel (Diabo Veste Prada) o 40 é o novo 48 e o 44 é o novo 56.

Eu não me encaixo, estava com a minha mãe, ela ia para um lado e eu para o outro, olhava as etiquetas e voltávamos ao ponto de partida:

-E aí?
-Nada.

Próxima loja

-E aí?
-Nada.

Entrei na Marisa e uma blusinha PP com o módico valor de 89,99. Caraca, eu não sabia que a Marisa havia se tornado uma nova Triton. Paciência. Fui entrando na loja e achei uma arara com uma plaquinha: Tamanhos Especiais.

Não gostei muito, mas fui lá ver, chamem como quiser, minha mãe também me acha especial e o Igor também. Eu juro que ao encostar na arara os tamanhos ali pendurados eram: 44, 46 e 48. Gente, desde quando 44 é tamanho especial?

Fato é que apesar de todo mundo cantar aos 4 ventos que as diferenças são importantes e inclusão é coisa moderna e fundamental, a ditadura da moda continua "hitleriando" as vestimentas mundo afora. Abram revistas femininas de moda e beleza (Nova, Claudia, ELLE) as moçoilas são esquálidas, pálidas e tristes. E onde entram minhas curvas despadronizadas, meu rosto corado de andar no sol e meu sorriso escancarado?

Sabe aquele vídeo que rola pela internet, com tradução do Pedro Bial "Filtro Solar"? Pois é, o Bial diz: Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio. É fato, eu me sinto um demônio cada vez que abro uma dessas.

Porque o importante é ser magro. Seja magro e serás feliz. A magreza é o caminho para a redenção. Pessoas magras são felizes e constroem carreiras promissoras. Magras podem ter namorados lindos, casarem, terem filhinhos e fazer comerciais de Doriana.

Se você não é magra você não é feliz, se você não é magra você é feia. Se você não é magra não vai sair em revista de beleza (droga, queria tanto).

Se você é gorda é relaxada. Se você é gorda sua vida amorosa será uma água turva e parada. Se você é gorda sua vida profissional jamais irá decolar. Se você é gorda vai morrer de infarto já já. Se você é gorda o mundo te odeia e não há lugar para você dentro dele. Se você é gorda vai entalar na roleta, vai quebrar cadeiras de plástico (eu nunca quebrei que fiquei claro). Estão no feminino, mas o masculino também é válido, ainda que em menores proporções.

Sei que tudo isso parece muito ferro e fogo, mas para dizer se é ou não é mesmo assim, tem que sentir na pele. Alguém aí tem uma revista Nova em casa? Vai lá e abre, procura uma cheinha.

Achou?

Não né?

Mulheres cheinhas (to fazendo o possível pra ser delicada) não fazem sexo meu bem. (não hein?!rs) então por que estariam retratadas nas páginas da revista?!

Eu não me acho feia (não muuuiiito feia), mas com a explosão de tantas mensagens (não)subliminares, fica difícil manter a auto estima lá em cima, difícil bem difícil.

Eu não "sou" na moda!!!

E vc, é?


Feias?_________________________

E tem presente

A Dani, do Ficta Confessio, me deu um selinho lindo, que eu, preguiçosamente, repasso ao todos aqueles linkados ali do ladinho. Se seu blog está ali do lado, pode levar é seu, sinal que eu te leio todo santo dia, mesmo quando você não posta nada novo eu vou lá xeretar!!!





Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Sol da meia-noite



Como eu vou explicar os dias de caos?

Os meses de caos e o ano, que ainda não está na metade, mas que será todo ele feito de caos?


Feito de desordem, feito de coisas que saem do lugar.

Coisas que depois de mexidas e remexidas, jamais voltarão a ocupar o lugar que dantes habitavam?


São dias de furacão, de erupção. Dias que no correr das horas se esvaem pelos dedos e mostram, com ar de desdém e desamor, que o tempo não para e que se eu não correr a frente do relógio, os ponteiros vão, certamente, me atropelar.

É esse um tempo de atropelo, de fazer sem perguntar o por quê.

De agir sem deixar para depois. De planejar sem cuidados.

De se soltar no ar dos sonhos a se realizar. E mesmo que todos eles dêem errado, os planos foram feitos, seguidos e batalhados, e isso importa muito mais do que conseguir.


O caos é o desconsolo que toma conta logo após a queda, seja do cavalo seja da vida. O caos é o apimentado do prato de todo dia.

O caos é a tempestade logo após o amanhecer.

O caos é o retumbar do meu coração. O caos é o que antecede a paz.

Tão parecido com amor.
Tao caótico o amor. Tão amoroso esse caos.

É nos dias de caos que só o que importa é: "eu estou segurando a sua mão".


E se você segurar na minha mão vai poder sentir todos os anseios do meu corpo, da minha alma e do meu amor.

Vai voar comigo por cima das montanhas, vai mergulhar, vai não saber nadar também. Vai conseguir ouvir o som da minha risada, vai assistir desenhos.

Vai aprender sem entender.
Vai sentir o arrepio da minha espinha quando parecendo cair a gente começar a voar.

Nesses dias de caos, é só me dar a mão para sentir a calmaria e o sabor de chocolate com cerejas.


Nesses meses de caos eu sou o ego. Sou tua alma.

Sou o céu, o inferno.

Te dou a calma, sou o teu inferno a tua calma.


Nesse ano todinho feito para o caos eu sou teu tudo, sou teu nada. Sou teu poder, sou tua vida. Sou a sombra, o guia.


Sou luar em plena luz do dia.


O caos me faz saudade reprimida. O amor me faz ânsia da chegada.



Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Falta de sorte?

Não faz muito tempo que descobriram que Plutão não é um planeta. Pobrezinho foi reduzido de cargo e provavelmente deve estar ganhando menos, (sorte dele que tem salário, eu nem isso tenho). Não sei muito bem como ficou a vida dele em relação a astrologia, já que Plutão é o inferno astral. Enfim, ele deve ter deixado de circular pelos outros mapas astrais e se aconchegado confortavelmente sobre a minha cabeça.
Bem que as pessoas dizem que desgraça nunca vem sozinha. Quando uma coisa ruim começa a acontecer, desencadeia dezenas de outras piores. É como se não satisfeito em te derrubarem em um poço de merda, te jogam um travesseiro de penas descosturado na cabeça. Aí vc fica aquela lindeza: cheio de merda, com umas plumas brancas coladas, aquilo não sai nem com encruzilhada, que dirá com banho.

Na última sexta-feira, que aos desavisados foi 13, eu quebrei um espelho. Um espelho pequeno tá certo, daqueles de bolsa de mulher, sabe? Pois é, caiu no chão e se partiu e pedacinhos, na hora o pensamento que me veio: FODEU! Não que eu seja supersticiosa, imagina. Mas vamos aos fatos.
Horas após a quebra do fatídico espelhinho meu avô faleceu, não que a culpa seja do espelho, mas a morte de uma pessoa desencadeia coisas que eu não sabia, ou sabia e só não me lembrava. As pessoas brigam até por agulhas, já que meu avô era um homem sem posses. A família(que não é pequena) nos bombardeou com emails, ligações e convocações para partilhas.

Dois pratos e dois copos quebrados depois, eu fui ligar o computador e??? Ele não liga!!!!!

Sabe lá o motivo daquela carroça não dar o ar da graça. Não sou expert em tecnologia e menos ainda técnica em informática. Sei que o desgramado liga mas não inicia. Pode ser uma porção de coisas que só mesmo um técnico vai poder saber. Seria simples não fosse o fato da Fernanda ser uma acadêmica lisa, lesa e louca. Não tenho grana. Aos que não sabem sou voluntária (que nem Papai Noel que não tem salário) em uma ONG. Salário só no outro mês, que ainda custa a chegar e, ainda assim, o money é parco(têm noção do quanto ganha um escraviário?). Fernanda também está no último ano de faculdade, ou seja, ano de Trabalho de Conclusão de Curso, Projeto Experimental chamem como quiser, o fato é que estou fazendo um site (eu estudo jornalismo, lembra?) em formato de blog (conto mais sobre ele quando a maré melhorar).
Não bastasse essa coleção de acontecimentos ainda tem um professor na faculdade que acha que vai reinventar o jornalismo, eu acho que ele vai muito bem do jeito que está. Mas o dito cujo, além de ser o rascunho do mapa do inferno, é implicante e quer dedicação exclusiva à matéria dele, que nem dele é, já que ele não é o titular da disciplina. Levando em consideração que há mais outras 4 matérias nesse semestre, está bem difícil concordar com os desvarios incompreensíveis de um professor que pensa que a imprensa atual é uma bosta (detesto quem só inventa defeitos). Não acho que seja perfeita, mas pintar o diabo mais feio do que realmente é, chega a ser pecado. Ele que devia ser excomungado...

Ou seja, benvinda ao inferno astral, Fernanda. Mas passa, eu sei que passa. Enquanto não passa, me desculpe, mas vou arrastar minhas correntes, chorar pra ver se alivia e achar que o mundo agora está contra mim...


PS: Agradeço imensamente o carinho nos comentários do post passado. Muito Obrigada.

PS²: Tenho uns selos com postagem atrasada, da Denise, da Babi, da Elaine, mas é que eles estão salvos no meu computador, sabe aquele que não liga?! Mas agradeço imensamente o carinho!!!

Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Da partida de quem sempre estará aqui

Como é que pode se explicar a dor que a morte causa?

Com a ausência vem o conformismo com o inevitável, pricipalmente quando quem parte já tinha na pele as marcas dos anos.
Meu jeito de sentir a dor de quem parte é, talvez, diferente da maneira da maioria das pessoas. Nessas horas choro pouco, não há espaço para o desespero é apenas um misto de lembranças misturadas aos fatos inevitáveis da evolução da vida e do tempo que não para.

Hoje, em uma tarde de chuva torrencial por estas bandas, me lembrei que com você aprendi a gostar da chuva, me lembrei do homem paulista, disfarçado de pantaneiro, que ao ver o céu preto dizia: um dia bonito. Pra quem não sabe, para quem vive no campo, bom mesmo é a chuva, que traz a vida para a terra, enche os rios de peixe e sacia a sede dos animais.


Lembrei das férias de julho dos tempos de infância. Pensei em todas as conversas sobre literatura, os livros recomendados, as histórias contadas, partilhadas.

Lembrei do hábito de meia xícara de açúcar para meia xícara de café(Igor, é de família). O inaplácavel gosto por doces(viu, de família também). O copo de água depois de qualquer refeição.

Lembrei dos ensinamentos de: como se livrar de uma sucuri no rio. Ou: como se livrar de uma onça pintada, "enfia o dedo nos olhos dela", é fato, qualquer animal quando ferido nos olhos foge, a tática também serve para bandidos na cidade. De como fazia os netos comerem bichos estranhos sem que soubessem o que era. Cobra, rã, jacaré (meu preferido).


Lembrei de como, quando eu já era adolescente, descobriu que eu gostava de ler, de escrever, que eu era, nas suas palavras, uma literata, do seu tom de orgulho ao falar isso para minha mãe.

Lembrei das histórias de saudade contadas ao final de um jantar, de muitos jantares.
Enquanto a chuva caía lembrava dos seus traços, tão parecidos com os meus, mais do que os do meu próprio pai.

Lembrei do: Oi boneca! Tá boa?!

Lembrei das férias de julho no pantanal quando eu era mais uma entre a dezena de netos.

Lembrei de: "a melhor coisa pra saúde é sexo".

Lembrei de: "a sua avó não casou virgem", e da minha mãe corando de vergonha, eu tinha uns 11 anos, achei o máximo, decidi que eu também não casaria virgem.


Lembrei de todas as histórias que ouvi de meu avô, de como ele me ensinou sobre respeito.

Lembrei das histórias sobre ele que ouvi da minha mãe, da minha bisa, das minhas tias. Os 'causos' engraçados contados pelos netos através das gerações.

Lembrei de como tentou, e somente tentou, me ensinar matemática. Lembrei que ele consertava parabólicas e computadores. Construía hidrelétricas, casas, móveis e nunca entrou em uma faculdade.


Foi personagem do fantástico duas vezes, matou a gente de vergonha e de rir. Ensinou os vovôs do país que o que mantém o ser humano são é o sexo, ganhou como fã o Dr. Dráuzio e o Sr. Kubrusly, além dos 11 filhos (que a gente sabe ;D), o batalhão de netos que eu já perdi a conta e os 8 bisnetos (me desculpem se esqueci algum), a última descendente nascida exatamente uma semana antes.

E é assim a vida, da qual a morte faz parte. "Vão-se os velhos e vêm os novos", como diria ele mesmo, Seu Mello. Oscar, meu avô.

Partiu no sábado, foi morar com as estrelas, reencontrar o grande amor da sua vida inteira. Fica a saudade e a certeza de que está em algum lugar, sentado com as pernas cruzadas, a mão no queixo e um meio sorriso no rosto, prestando atenção a conversa entabulada com alguém.
Pra quem não viu:
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL696492-15605,00.html

Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Um conto sob a lua


No meio de uma noite enluarada, levantou da cama, levantou e vagou pela casa vazia. Escura e sileciosa lembrava sua alma nos dias mais frios de sua existência. Em certos momentos, quando o sono não vem, o melhor é levantar e va,gar, ou ler, talvez acompanhar alguma bobagem na tv. Mas naquele momento a única coisa que ocupava sua mente era a frieza das escadas sob seus pés a lhe dizer o quanto ela se tornou ausente das sensações de seu próprio corpo.

Pensou nos dias de ausência da vida, nos dias em que não viveu as horas, apenas esperou que elas passassem. Lembrou das refeições em que apenas deglutiu alimentos. Pensou nas conversas de palavras soltas e vagas, onde os sentimentos não vieram a tona e nem foram de todo sinceros. Pensou na falta que fez o ar, nos dias de sol que não lhe ardeu na pele.

No final da escada, abriu a porta e sentou-se na soleira, olhando as estrelas pensou nas noites em que, envolta nos braços de alguém, apenas sentiu alívio quando ele vestiu-se e partiu ou quando ela tomou um táxi para casa. Com os olhos na lua que boiava no espaço, pensou nas noites em que dançou uma música que podia ouvir, mas que não permitia que entrasse no seu corpo.

Olhando seus pés sobre a grama pensou nas tardes em que não se permitiu agradecer a Deus o milagre de existir. Lembrou de todos os telefonemas que prometou fazer e não fez. Nas vezes em que, insistente, o telefone tocou e ela não atendeu. Nos programas que desmarcou com qualquer desculpa sem sentido, nas mentiras que teceu para não sentir a vida na pela em uma tarde de sol no parque entre risadas. Pensou nos copos onde bebeu, sem saber porque bebia. Pensou nas cervejas que sempre lhe pareceram quentes, na vodka que sempre esteve sem limão, no vinho que perdia o aroma antes de chegar aos lábios.

Abraçada aos joelhos, na soleira da porta, com os pés na grama em uma noite de lua cheia no céu pensou em como pode ser vazia a vida sem amor. Em como as pessoas podem ter medo de saltar quando a queda apenas vai fazer que se cresça mais. E pensou em como se sentia completa por ter o coração repleto e a mente quieta.
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E tem Presente

A Rê, mais nova cidadã no mercado de trabalho rs, me ofereceu esse selinho lindo:

Obrigada Rê, adorei!!!

O selo acompanha alguns passos a serem seguidos:

1) Escrever uma lista com oito coisas que sonhamos fazer antes de morrer; (tá ali embaixo)
2) Convidar oito parceiras(os) de blogs amigos para também responder;(lá embaixo tbem)
3) Comentar no blog de quem convidou;(ok)
4) Comentar no blog de nossos(as) convidados(as) para que saibam da convocação.(ok)

Coisas antes de morrer:

1 - Escrever um (ou vários) livro;

2 - Conhecer o Brasil de norte a sul, de leste a oeste de carro(em ótima companhia);

3 - Ter uma casa em uma praia paradisíaca e envelhecer lá;

4 - Ir pra Nova Zelândia com um esquizofrênico brincar de esportes radicais;

5 - Uma entrevista com um chefe do tráfico carioca;

6 - Aprender a pintar;

7 - Ter uma superhipermegaultrapower biblioteca,

8 - Bater perna no Caminho de Santiago de Compostela com o mesmo parceiro da Nova Zelândia.

Vou repassar o selo e a brincadeira para:

Igor do Esquizofrenia
Solange do Eucaliptos na janela
Babi do Percepções da vida (que fez aniversário)
Moça do Fio do Moça do Fio
Cris do Cristiane Marino
Dany do Universo de ideias
Helen do Contos da Madrugada

Dani do Ficta Confessio

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Nas asas das palavras


Sentada diante da minha estante meus olhos passeavam pelo colorido das palavras: As Aventuras de Tom Sawyer, Rosinha Minha Canoa, Cidades Mortas, Vastas Emoções e Pensamentos Inconcretos, Jornal da Noite, Senhora, Clarissa, Gabriela, Sofia. Não estava ali o título que merecia o posto de "O Livro da Minha Vida". Fechei então os olhos e vi passar novamente pelas minhas mãos os títulos que eu já lera, mas que não possuía: Angústia, Cem anos de solidão, Perto do Coração Selvagem, A Droga da Obediência, Guerra e Paz, A sombra do vento, O velho e o mar, Por Quem os Sinos Dobram, Amar Verbo Intransitivo. Não, ainda não era nenhum desses.

E vi, de olhos fechados, várias páginas que eu já li na vida. Lembrei de lágrimas que derramei por cima das letras que me contavam histórias de pessoas que só existiram na imaginação de um gênio. Revi paisagens por onde andei sem sair do meu quarto. Tive lembranças de coisas que nunca vivi, que nunca passei. Sofri novamente por amores que nunca deram certo. Sorri por casais que foram felizes pelo passar dos séculos. Lembrei de trechos inteiros que retumbavam na minha cabeça.

Pensei em Ana Terra me contando sua vida sofrida do sertão, dos dias de vento que lhe traziam mudanças importantes. No sertão também revi Baleia e sua família em suas Vidas Secas. Pensei em Schindler, magistralmente lembrando de quantos nomes fosse capaz de salvar. Lembrei do meu choro copioso sob a luz fraca do abajur em 1994 enquanto lia sua lista. Senti novamente o mesmo asco da humanidade, o frio da neve, senti vergonha pelos outros e qualquer coisa de força me invadiu e me fez ser maior outra vez.

Pensei em Ceci, e invejei o seu amor. Pensei em Julieta e reavaliei sua decisão junto com Romeu. Fiquei do lado de Bentinho, que não me parecia tão Casmurro. Compreendi todos os motivos de Senhora e de Lucíola. Decolei nas asas de Vito Gradam e troquei confidências com uma Mulher de 30 Anos enquanto bordávamos. Senti o calor das terras de Tieta. Naveguei com Jorge e Zélia pelos mares que cruzaram suas vidas. Estive novamente em muitas Notícias do Front.

Pensei no Admirável Mundo Novo que um dia me tirara o sono por quase um ano, no Doador que me fez sempre acreditar que tudo o que queremos é possível quando há coragem. Pensei no Chefão que tem qualquer coisa dos meus antepassados. E estive novamente na calçada de tijolinhos com Doroty, dei Adeus às Armas e sussurrei os Cem Nomes do Amor. Me deparei com a realidade dos meus em um Ensaio Sobre a Cegueira e me emocionei outra vez com o Ano Velho do Marcelo.

Saí para pescar com um Velho e o Mar, dancei nos versos da Clarisse e voltei a rir e chorar enquanto achava meu cachorro, Lex, muito parecido com Marley. Roubei livros com uma pequena alemã durante a guerra senti por mais um momento a acidez da Marca de uma Lágrima. Tive uma família enorme com Éramos Seis e fui irmã de Meninos Sem Pátria.


Então eu abri os olhos e voltei à sala de casa diante de minha estante e, definitivamente, eu ainda não li o livro da minha vida. Suspeito que nunca o leia. Cada novo livro me traz novas e maiores descobertas. Me desperta paixões e ódios. Me arranca lágrimas, me faz gargalhar no ônibus lotado. Me embala em sono suave ao final de mais um capítulo. Me deixa órfã ao final de todo o conjunto dos capítulos. Talvez seja por isso que eu continuo lendo compulsivamente, para ver se descubro o livro da minha vida.


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E tem Presente

Minha amiga Babi da terra de Tchá co Bolo me deu outro presente lindo:


Obrigada Babi, adorei.
Carinhosamente repasso para:

Rê do Mundo na Luneta (que sempre merece)
Andréa do Leio o Mundo Assim
Para as Cruéis donas das Calcinhas no Box
Marcela do Pensamentos Redigidos
Vanessa do Fio de Ariadne (que propôs essa coletiva deliciosa)