
Triste
Simplesmente
Me abrace
E quando eu estiver
Louco
Subitamente
Se afaste
E quando eu estiver
Fogo
Suavemente
Se encaixe"...



_______________________________________________Queria receber uma cartinha singela com os dizeres:É Flávio, eu também estou precisando de uma dessas.
"Caro Flavio, Informo que seu pedido foi aprovado e será atendido no prazo máximo de 3 dias úteis.
Assinado: Deus "



Eu sempre pensei muito em todas as coisas fantásticas que moram dentro da bolsa do carteiro e das agências de Correio.
Hoje, quando o namorado mora no Rio de Janeiro e eu aqui no Cudumunópolis, me tornei (e ele também) assídua usuária da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, ECT. Outro motivo para que eu seja uma fiel consumidora dos amarelinhos, patrocinadores dos esportes aquáticos brasileiros, é o fato de morar no Findimundópolis onde, dificilmente, se tem acesso a coisas bacanas. Como, por exemplo, minhas Melissas queridas.
Abrindo um parênteses aqui, um modelo de Melissa que no site da própria é vendido, no ato do lançamento por 99 dinheiros, pode ser encontrado em uma lojinha medíocre do (mini) Shopping Campo Grande, por 172 dinheiros!!!!!!!!!
Dadas as condições da brasileira eu compro pela internet, compro mesmo e compro muito. Melissa, CD, DVD, presente para namorado, livro, uma infinidade de coisas que mesmo com o valor do frete dos meus amados Correios, ainda fica mais barato do que comprar aqui na terra dos nelores.
Explicado isso continuemos.
Na última semana esperava duas entregas dos Correios, um presente do namoradinho (DVD e chocolates...hummmm) e duas Melissas. Idiotamente eu falei para endereçarem para minha casa, onde não fica ninguém em horário comercial, logo o carteiro gastou a gasolina da carroça de entregas para ir a minha humilde residência e deu com os burros n’água. Liguei para lá e combinei de retirar no Centro de Distribuição.
Antes de ir, olhei no Google Maps como se chegava, mesmo assim me perdi e fui para o lado contrário, andei umas 10 quadras a mais (isso precisa parar), mas consegui chegar.
Como não poderia deixar de ser
O que parecia ser então um tempo normal de espera por um atendimento burocrático se transformou em um delicioso compartilhamento das expectativas alheias.
Para minha surpresa as pessoas ao pegarem seus pacotes os abriam ali mesmo, junto com o atendente dos Correios. O garoto da vez era alto, bonitinho, vestia bermudas, camiseta regata e tênis, como os jogadores de basquete, abriu seu pacote, os olhos brilhavam e o moço do guichê, tão curioso quanto ele, parou seu trabalho apara acompanhar de perto a descoberta do conteúdo. Um casaco, uma camiseta e uma bermuda. UAU, ele também compra pela internet. Feliz da vida, assinou e saiu.
A próxima era uma senhorinha, curvadinha, vestido florido, cara de vó e certamente sabia fazer bolinho de chuva. Uma caixinha pequena a esperava, aberta sem tanta gana embalagens de remédios foram reveladas. Remédio não, Cogumelo do Sol. UAU, tem gente que compra? Legal, assinou e saiu.
E eu ali, compartilhando das encomendas alheias, degustando da felicidade alheia de abrir um pacote, que coisa incrível acontece nos olhos das pessoas quando elas abrem pacotes, já percebeu?
Mais duas pessoas me chamaram atenção. Uma moça de uns 20 e poucos anos que recebeu uma caixa maior do que as que já haviam sido abertas. De dentro saiu um sapatinho de bebê vermelho, um macacão com letrinhas japonesas e uma cartona pulou para as mãos dela. Olhei atentamente esperando que ela começasse a ler ali, já que compartilhávamos dos presentes, por que não da carta? Mas ela apenas leu as primeiras linhas em silêncio, os olhos começaram a nadar e, antes que se afogassem, ela assinou e saiu. Felicidade com saudade, entendo ela.
Chegou a vez da moça a minha frente, minha vizinha de fila. Estavam ela e uma mulher mais velha, devia ser a mãe. Entregou o comunicado de entrega. Eu já não cabia em mim de ansiedade porque já havia decidido abrir meus pacotes só em casa, quando, de repente, o moço do Correio volta lá de dentro com uma caixa ENORME.
O sorriso da minha vizinha enche a agência, e ela dá pequenos pulinhos, segura no braço da mãe que também sorri tentando esconder a emoção.
Começa a abrir o pacote cheio de letrinhas e carimbos, dando a impressão de que viajou muitos quilômetros, de dentro da primeira caixa pula para as mãos dela uma caixa nova, vermelha com corações brancos e um laço de fita (adoro laços). Pude perceber que as mãos dela tremiam e a boca era de um sorriso meio torto, os olhos não sabiam no que concentrar-se.
Como em uma cena planejada ela foi abrindo lentamente a caixa de corações, até que surgiu lá de dentro um vestido de noiva. Branco, lindo, do tamanho dela e um envelope azul. Mãe e filha se abraçam, ela já não esconde as lágrimas (e nem eu), o namorado que mora em Portugal encontrou um jeito inusitado de pedi-la
Chegou a minha vez, entreguei a solicitação expliquei que apesar de ser só uma eram dois pacotes. Foi lá dentro, demorou, voltou com minhas caixas. Uma grande e uma pequena. Uma comercial, uma apaixonante. Me entregou e ficou olhando como quem pede para abrir.
-Eu só vou abrir
No caminho, dentro do ônibus, sentada com as caixas no colo, olhando pela janela me peguei pensando na vida secreta que cada pessoa tem e o resto do mundo não enxerga.
Nas coisas preciosas que passam pelos Correios todos os dias, nos presentes incríveis que as pessoas desembrulham. Nas compras feitas, na ansiedade de receber a encomenda, nas expectativas que a gente fica quando espera um presente de namorado. E entendi um pouco a vontade avassaladora do Igor de fazer segredo dos presentes manda e eu, sempre estrago (a surpresa e não o presente).
É gostoso ser humano, alimentar expectativas.
E observar a alegria alheia é uma delícia!

spaço sobre o “não ser de plástico”, de ter o direito de pesar mais do as modelos cabides. De comprar roupa na sessão fofa das lojas. E me rendo, eu sou de plástico.
inha?

Ingredientes:
"Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre...(Clarice Lispector)
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!...
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!...
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão...
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos,
das bebidas mais amargas,
das drogas mais poderosas,
das idéias mais insanas,
dos pensamentos mais complexos,
dos sentimentos mais fortes
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí?
EU ADORO VOAR!"
O amor assusta mais do que todos os fantasmas que habitam o coração humano (...)
O amor não sobrevive aos ritmos da nossa modernidade.
O amor exige tempo e conhecimento.
Exige, no fundo, o tempo e o conhecimento que a vida moderna de hoje não permite mais (...)
A nossa frustração em encontrar o "amor verdadeiro" é apenas um clichê que esconde o essencial:o amor não é um produto que se compra para combinar com os móveis da sala.
É uma arte que se cultiva.
Profundamente.
Demoradamente.